Entrevistas
De Ciências Sociais a UX Design — Entrevista com Barbara Bottaccio
Lista de conteúdos
Entrevistas

De Ciências Sociais a UX Design — Entrevista com Barbara Bottaccio

Nesta entrevista, Barbara Bottaccio, aluna do MID, nos conta por que decidiu mudar de carreira e migrar de Ciências Sociais para UX Design.

Além disso, ela nos conta como que foi o processo para conseguir a sua primeira oportunidade na área.

Confira a história de Barbara e inspire-se!

Barbara, tudo bem? Conta um pouco de você pra gente!

Eu me formei em Ciências Sociais em 2015 e, na sequência, fiz um mestrado na mesma área.

Mas eu percebi que a carreira acadêmica não combinava muito com os objetivos que eu estava traçando para a minha vida.

A partir disso, eu entrei para o mercado e comecei a trabalhar no Quinto Andar, na área de dados, como analista de performance de dados qualitativos.

Nessa área, eu media a performance de parceiros e participava de vários projetos dentro da empresa.

Em um desses projetos, tive a oportunidade de conhecer melhor a equipe de design e achei muito interessante o que eles faziam. Senti que poderia haver uma certa conexão com a minha área de formação.

A partir disso, comecei a estudar UX Design por conta, para tentar migrar de carreira.

Demorou um tempo para eu encontrar o MID, na verdade.

Depois do Quinto Andar, tive a oportunidade de trabalhar com produto, na Kroton, mas ainda não era uma área voltada para o digital ou para UX Design.

Dica de Leitura: UX Design – O Que é e Como Atuar na Área?

O que você viu de similar entre UX Design e Ciências Sociais?

Eu acho que há bastante similaridade em questões relacionadas à metodologia.

Quem faz cursos em humanas, seja ciências sociais, psicologia, etc, entende muito de metodologia de pesquisa, de comportamento humano, comportamento social e tem uma boa base em pesquisa qualitativa e etnográfica.

Então, eu acho que esse histórico ajuda em UX Design; na verdade, ajuda mais do que saber alguma ferramenta de design propriamente dita.

Essa bagagem teórica ajuda na adaptação em UX e a pensar em coisas interessantes para essa área.

Foi isso que te chamou a atenção quando em contato com o time de design?

Eu também gostei muito da forma como eles eram unidos. Todo mundo estava sempre ajudando, ao mesmo tempo em que cada um está no seu squad.

O time de design é muito forte, então tem bastante suporte, troca de ideias, etc. Essa forma de trabalho me chamou muita atenção.

Além disso, é claro, o trabalho em si da área também me chamou atenção. Gostei bastante das propostas de pesquisar o usuário, sobre suas dores e necessidades. Quando vi isso, desejei efetuar esse passo em minha carreira.

Portfólio UX Design - Barbara Bottaccio
Portfólio Barbara Bottaccio

Quanto tempo levou desde o interesse até migrar para UX Design?

Mais ou menos 1 ano e meio.

Antes de entrar no MID, como você organizava seus estudos?

Acho que vou falar mais sobre as dificuldades que eu senti.

Eu percebi que tem muito conteúdo sobre UX Design disponível na internet, mas eu senti que faltava uma ordem, um começo e um fim nesses conteúdos.

Por exemplo, em um dia eu lia sobre os conceitos de usabilidade, no outro sobre entrevistas, e no outro sobre algo diferente.

Dessa forma, eu não tinha uma construção do que era a área de UX Design como um todo e parecia que não tava conseguindo absorver conteúdo o suficiente, por mais que eu lesse muito.

Então, eu senti falta de ter esse conhecimento mais organizado e estruturado, e eu acabava me confundindo no começo. Não sabia onde começava e onde terminava o trabalho do UX, aonde se encaixavam as metodologias, etc.

Eu também senti falta da parte prática.

Muita coisa vai te confundindo e isso te deixa um pouco frustrado.

Esses pontos foram os que mais me fizeram sentir dificuldade, mas acho que foram importantes para eu trilhar o meu caminho.

Entrar em contato com esses conteúdos e depois encontrar um curso que faz sentido para você, é parte do processo.

Quanto tempo depois você decidiu entrar no MID e se aprofundar nos estudos?

Assim que eu sai do Quinto Andar e fui para a área de produto, eu comecei o Bootcamp MID.

A partir disso, comecei a aplicar o que eu aprendia no curso no dia a dia do meu trabalho, como analista de produto.

O meu caminho foi esse. Assim que eu entrei na área de produto, procurei um curso para me ajudar a migrar de área.

Dica de Leitura: 11 Razões que Fazem do MID um Curso de UX/UI Design Incrível

Explica um pouco qual era o seu papel como analista de produto

A empresa na qual trabalhei é da área de educação. Então, eu criava produtos para curso de graduação.

Nesse sentido, meu papel era:

  • olhar a performance dos cursos;
  • captar alunos;
  • entender o nível de satisfação dos alunos com o curso e com a instituição;
  • analisar indicadores;
  • entender como direcionar o negócio e transformar esses insights em um produto novo.

Portanto, eu trabalhava para captar informações e conseguir fazer uma proposta de novo produto que fosse interessante tanto para a empresa quanto para os alunos.

Nesse contexto, eu conseguia encaixar bastante coisa de UX Design, além da parte mais estratégica e de negócios.

Portfólio UX Design - Barbara Bottaccio
Portfólio Barbara Bottaccio

O que você conseguia aplicar de UX Design como analista de produto?

Por ser uma empresa grande, a maioria das pessoas da diretoria tinha um perfil mais voltado para o negócio, ou seja, para números, eficiência, ganhos e lucro.

O que eu fiz foi tentar mostrar que o UX Design, a experiência do aluno, eram coisas importantes porque gerariam esses resultados que eles gostariam de ver.

Nesse sentido, comecei a fazer entrevistas com os alunos, pesquisas qualitativas, e captei diversos insights para implementar em novos produtos.

Fui tentando inserir esse olhar mais voltado para os alunos, para a satisfação deles, e ter mais empatia.

Foram esses pequenos trabalhos relacionados à UX Design que me ajudaram a obter mais conhecimento em pesquisa.

Apesar de aplicar esses processos, eu sentia ainda muita dificuldade em passar em uma vaga específica para design porque eu não tinha tanta experiência com UI. Foi aqui que o MID me ajudou muito, porque tive que desenvolver projetos do zero.

Como foi o seu processo de estudos?

Meu processo foi e ainda é bastante complicado pra mim. Tanto que entrei no começo do ano no MID e eu ainda estou no projeto 1.2.

Eu ainda não consegui me organizar totalmente para estudar de uma forma mais eficiente.

Conciliar o trabalho com o curso e com a vida pessoal é bem complicado!

O que eu faço, e que pode até ser considerado um pouco errado, é fazer um intensivo de estudos em um final de semana.

Eu gostaria de ter uma rotina diária de estudos, fazendo um pouco por dia. Mas acabo com essa mania de estudar muito em poucos dias.

Como você fez para estudar cada nível do MID?

Eu assisto a todos os vídeos, faço as minhas anotações e penso em como montar o projeto.

Cada projeto é um projeto, então é uma oportunidade de aprender uma coisa nova e trabalhar de um jeito diferente.

Algo que foi muito difícil para mim no começo, mas que serviu como aprendizado, foi demorar para ter meu primeiro projeto, do nível zero, aprovado.

Acho que cheguei a enviar umas 7 ou 8 versões e eu estava esperando que a aprovação viesse mais rápido. Mas por conta disso, o meu crescimento foi muito nítido, entre a primeira e a última versão.

Nesse sentido, acho que mais importante do que a quantidade de níveis que você já estudou, é a qualidade que você coloca em cada projeto e o que você aprende com isso.

Se a cada nível as coisas vão ficando mais complexas, no final, o trabalho do UX vai ser basicamente o mesmo. Claro que vai depender do objetivo, mas são 10 projetos para você fazer de forma diferente. É assim que eu penso, na verdade.

Eu também tinha a ideia de que iria chegar no nível 4 do curso, começar a me aplicar para vagas e conseguir uma boa oportunidade.

Mas acontece que as coisas não são tão lineares assim; e não acontecem exatamente do jeito que a gente imagina.

Eu recebi várias negativas, e isso faz parte!

Dica de Leitura: 11 Medos Que Te Impedem de Migrar para UX Design

Como foi o processo para você conseguir a vaga atual?

Para essa vaga, eu recebi de um amigo o link para me inscrever. Gostei bastante da vaga e já tinha ouvido falar da empresa.

É um aplicativo que visa o bem estar da pessoas e que cresceu muito durante a pandemia.

Eu gosto do clima das startups e me identifiquei bastante com isso.

A descrição do cargo era bem amigável na verdade. Dizia que não importava o nível, eles só queriam pessoas que pudessem contribuir. Então, isso me incentivou bastante me aplicar.

Durante o processo, eu fiz uma entrevista direto com o gestor de produto, contei sobre a minha experiência e fiz um case. Fui bem!

O MID me ajudou bastante a conseguir estruturar esse case!

Em seguida, fiz uma entrevista com o founder da startup, passei e recebi a proposta.

Foi um processo bem tranquilo, na verdade. Durou cerca de duas semanas e meia.

Portfólio UX - Barbara Bottaccio
Portfólio Barbara Bottaccio

Como que está sendo trabalhar nessa startup?

Está sendo bastante interessante!

Quando entrei, só tinha eu no time de UX Design, e agora eles contrataram alguém para UI também.

Então, até agora, eu tinha um foco grande em UI; ajudava os squads a fazer as interfaces para as experiências acontecerem. Como o aplicativo já existe, o que eu tinha que fazer eram coisas pequenas e que foram me dando confiança, como mudar um botão, um campo. Isso me deu segurança para depois começar a fazer coisas maiores.

Agora, a expectativa é pintar a área de UX Design, estabelecer processos e etc. O lado positivo é que tenho bastante autonomia para construir, testar, criar, errar e fazer de novo.

Então, eu estou nesse processo de entender junto com os PMs quais são os objetivos, o que eles querem para o longo prazo, falando de produto, para eu conseguir encaixar a parte de discovery e UX Design.

Dica de Leitura: Design Thinking – Saiba Como Aplicá-lo em Seus Projetos

Você começou a trabalhar remoto, certo? Como foi isso?

Ah, foi bem tranquilo na verdade.

Acho que o fato de fazer terapia uma vez por semana tem ajudado a encarar essa situação também.

Mas o pessoal em si é bem bacana. Eles são super solicitos e, por mais que não sejam designers, estão sempre dispostos a ajudar.

Se eu tenho alguma dúvida, eu me sinto segura em perguntar, não tem nenhuma questão de ego ou medo. Então, está sendo uma experiência muito boa.

É claro que no remoto não existe aquela questão mais pessoal, de conversar no café ou criar um laço maior com as pessoas.

Mas também tem suas vantagens, estar em casa, ter a minha própria rotina.

Como está sendo a parte de UI, de softwares e ferramentas, já que você não tem um designer sênior para te ajudar, no momento?

Eu acho as ferramentas bem intuitivas e não tive nenhuma dificuldade com elas.

Existem vários videos que você pode assistir pra aprender e sempre tem o Google para te ajudar também. Então, não foi um grande problema para mim.

É claro que quando você não tem experiência, a primeira vez que você mexe na ferramenta é um pouco estranho.

O MID me ajudou também, porque desde o projeto do nível zero a gente já vai se familiarizando com as ferramentas.

Depois, você vai pegando prática com o tempo! Hoje, por exemplo, estou usando muito o Figma.

O que você falaria para a Barbara do passado, sobre essa trajetória para UX Design?

Acho que muitas pessoas devem responder isso, mas eu diria para ter menos ansiedade e ir com mais calma.

Eu sei que quando você começa uma jornada pode achar que não vai conseguir ou que o objetivo ainda está muito distante. E isso vai criando ansiedade e frustração.

Mas as coisas acontecem, é uma questão de ir dando um passo de cada vez, com calma.

Faça os projetos, monte um portfólio e pense numa estratégia para aplicar para as vagas.

No final, tudo vai dar certo e a ansiedade só acaba te desgastando.

Barbara, obrigado pelo seu tempo e muito sucesso na sua caminhada!

Cursos

Nosso maior orgulho é todo mês ter alunos e alunas contratados em grandes empresas e em países como
Brasil, Estados Unidos, Irlanda, Alemanha, Espanha, Portugal, Áustria, Rep. Tcheca, Nova Zelândia e Canadá.