Design Sprint na Prática: 1º dia – Mapear

O profissional de UX Design precisa ter os conceitos de UX bem definidos para conseguir implementar os seus projetos da melhor forma e existem diversas metodologias para ajudar nesse processo. Mas, além da parte teórica, é importante também entender como esses conceitos funcionam no dia a dia. Portanto, nesta série de artigos, vamos mostrar para você o processo com a metodologia de Design Sprint na prática! Confira!
Design Sprint na Prática: 1º dia - Mapear

A parte prática de qualquer profissão é bastante importante para você conseguir consolidar os conceitos e entender os gaps entre a teoria e o dia a dia.

Nesse sentido, o canal Design Team junto com a Aela promoveram uma semana de aprendizado na prática sobre Design Sprint.

Durante essa semana, você terá a oportunidade de trabalhar em cima de um case real e utilizar na prática os conceitos e ferramentas do Design Sprint.

Continue a leitura para entender melhor e conseguir aplicar os conceitos do primeiro dia de Sprint: o Mapeamento!

Desafio Design Sprint: o briefing

A Semana do Design Sprint apresenta bastante conteúdo teórico, mas o foco é na parte prática e em como aplicar a teoria em um Design Sprint real.

Dessa forma, nada melhor do que trabalhar em cima de um projeto de verdade, onde podemos aplicar os conceitos e vivenciar os obstáculos e dúvidas.

Pensando nisso, a proposta do desafio está baseada em um projeto para uma ONG que resgata e cuida de animais abandonados: A Miaudota.

Portanto, ao final do desafio, os UX Designers deverão surgir com uma proposta de solução para as necessidades da Miaudota. Ou, até mesmo, uma solução que possa ser aplicada em ONGs similares.

A ONG Miaudota

ONG Miaudota

A Miaudota é uma ONG que surgiu em 2013 e a sua idealizadora é a Annita.

A proposta da Miaudota é resgatar animais abandonados — com foco maior em gatos —, cuidar e conseguir um lar adotivo para eles.

Annita, além de idealizadora do projeto, é quem toma conta de todos os processos da ONG. Desde o recebimento de chamados até a entrevista com os lares adotivos.

Desse modo, ela possui uma carga operacional bastante grande e precisa de alguma solução para melhorar essa sua condição.

O time do Design Team, criou um vídeo com mais detalhes sobre a Miaudota, bem como uma lista com as principais dores desse cliente.

Você pode acessar o vídeo e a lista (na descrição do vídeo) logo abaixo:

O que é Design Sprint?

Antes de partirmos para falar com mais detalhes sobre o primeiro dia do desafio, vamos responder brevemente esta primeira pergunta:

O que é Design Sprint?

Design Sprint é uma metodologia criada por Jake Knapp e tem forte conexão com os princípios da Filosofia Ágil.

Dessa forma, o Design Sprint propõe, basicamente, prototipar, testar e validar uma solução em um período curto de 5 dias.

Portanto, o tempo é uma questão crucial do Design Sprint. Cada dia do processo possui um objetivo, tais quais:

  • 1º dia: Mapear;
  • 2º dia: Esboçar;
  • 3º dia: Decidir;
  • 4º dia: Prototipar;
  • 5º dia: Testar.

E durante esses 5 dias, o Design Sprint propõe 6 grandes passos:

  1. Entendimento;
  2. Definição;
  3. Divergir;
  4. Decidir;
  5. Protótipo;
  6. Validação.
As Etapas e o objetivo de cada dia do Design Sprint

Logo, nossa semana do desafio estará completamente atrelada aos 5 dias do processo de Design Sprint a começar por: Mapear.

Dica de Leitura: Design Sprint — Como Acelerar o Desenvolvimento de um Produto?

O primeiro dia do Design Sprint: mapear

O primeiro dia do Design Sprint tem como objetivo Entender e, como o próprio nome já diz, Mapear qual a necessidade do usuário que deve ser solucionada.

Preste atenção que, nessa fase, o mais importante é obter todas as informações necessárias para se ter clareza das ações dos próximos passos e dias do Design Sprint.

Portanto, na fase de Mapear, a preocupação não deve ser em encontrar a solução ou pensar nos protótipos ou em como sanar as dores do usuário.

O principal ponto neste momento é descobrir qual o problema que deve ser resolvido.

1º passo: entendimento do contexto e objetivo

O primeiro passo do primeiro dia do Design Sprint é entender qual o contexto das necessidades do stakeholder, bem como qual é o seu objetivo.

Dessa forma, é importante sentar com o seu cliente e entender quais são as suas vontades, expectativas, objetivos e necessidades.

Para tanto, você pode fazer um questionário com perguntas do tipo:

  • Quais são os seus objetivos? Ou qual o seu principal objetivo nesse momento?
  • E por que você deseja atingir esse objetivo?
  • Qual o melhor critério de sucesso para o seu negócio?
  • Quais são as pessoas/personas para quem você deseja resolver os problemas?
  • Por que esse problema é um problema?

Perceba que o objetivo é entender qual é o contexto no qual o stakeholder está inserido e quais são os seus critérios para indicar o que é sucesso e quais são seus objetivos.

Além disso é importante deixar todas as expectativas alinhadas. É preciso entender o que o cliente espera que seja entregue no final do Design Sprint. Um protótipo, uma ideia, um processo?

No final dessa parte, é importante ter a definição de qual é o objetivo que deve ser atingido pelo Design Sprint.

Mas tenha em mente, ainda, que objetivo é algo mensurável e com data para acontecer. No caso da ONG, poderia ser a redução dos custos mensais ou aumentar a capacidade de atendimento. "Quero crescer meu negócio" não é objetivo!

No case da Miaudota, não é possível sentar com a Annita para verificar todas as questões. Contudo, na descrição do vídeo do Briefing há uma lista com diversas questões já pontuadas por ela e que podem ser usadas no projeto.

Dica de Leitura: Business Design — Por Que é Importante Saber Sobre Negócios?

Utilizando a Matriz CSD

Com a definição do objetivo e com o briefing em mãos, está na hora de utilizarmos uma ferramenta que auxiliará nas pesquisas: a matriz CSD.

Como o próprio nome já sugere, utilize a matriz para mapear quais são as Certezas, as Suposições e as Dúvidas que você e sua equipe possuem sobre o contexto do stakeholder.

Lembre-se de que o que irá nortear esse mapeamento é o objetivo do Design Sprint, que foi alinhado anteriormente junto ao stakeholder.

Dessa forma, para criar a matriz, desenhe 3 colunas: Certezas; Suposições e Dúvidas. Em seguida, use post-its e preencha cada uma das 3 colunas. Faça esse exercício com todos os membros da sua equipe.

Este brainstoming servirá como base para realizar as pesquisas, com o intuito de tirar as dúvidas que foram mapeadas.

Criação ou entendimento da Persona

Ainda no primeiro passo, é preciso identificar qual a persona para quem é dedicada a solução do problema. Caso o próprio stakeholder não tenha essa definição, você mesmo pode criá-la.

A definição da persona é importante para você entender exatamente quem é o seu usuário final e como ele pensa e age.

Para criar rapidamente a sua persona, você pode utilizar diversas ferramentas, como mapa de empatia.

No mapa, você coloca o que o usuário, vê, fala, ouve, faz, bem como quais são as suas dores e as suas satisfações.

Com isso, você consegue mapear as características emocionais e sensoriais do seu usuário final.

Mas lembre-se de que você não tem muito tempo. O Design Sprint é um processo curto. Então, não perca tempo criando elementos desnecessários para a sua persona.

Dica de Leitura: Persona — Por Que É Essencial para Qualquer Projeto em UX Design?

2º passo: efetuar as pesquisas

Com o mapeamento CSD em mãos, utilize essas informações para criar roteiros e questionários de pesquisa.

No entanto, tome cuidado para não criar perguntas e roteiros enviesados para não influenciar seus resultados.

A pesquisa pode ser feita de diversas formas:

  • Fazendo Benchmarking: procure outras ONGs que, talvez, passem pela mesma situação;
  • Entrevistando donos de animais;
  • Entrevistando donos de Petshop e outras lojas similares;
  • Pesquisando na internet, de fontes confiáveis (Desk Research);
  • Conhecendo melhor o mercado do cliente.

Note que existem diversas maneiras de se obter informações e dados para enriquecer o seu Design Sprint. Contudo, lembre-se que o tempo é limitado e deve ser controlado.

Dessa forma, limite um prazo para efetuar as pesquisas, caso contrário fica fácil perder a noção do tempo.

3º passo: organizar os dados e definir o problema

Neste momento, você já definiu o objetivo do seu projeto e já efetuou as devidas pesquisas para sanar as suas dúvidas e fortalecer suas certezas sobre as necessidades e situação do seu cliente.

O próximo passo do dia do Mapeamento do Design Sprint é organizar esses dados e ideias de uma maneira visual, para que você consiga identificar exatamente qual o problema a ser resolvido pelo seu projeto.

Utilizar ferramentas visuais é bastante importante nesse momento porque elas fornecem uma visão ampliada.

Dessa forma, utilize uma parede com post-its, ou desenhe em um quadro branco. Ainda, caso precise, existem alguns programas que te auxiliam a ter esse mapa visual das suas ideias. Como dica, procure os programas Mural e Miro.

Uma vez que as ideias de problemas estão visualmente expostos, classifique-os em temas e coloque um grau de prioridade. Isto ajudará na escolha do problema.

Em seguida, é hora de estabelecer a votação para que o problema a ser resolvido seja escolhido.

Dessa forma, ao final desse primeiro dia de Design Sprint, você deve ser capaz de escrever qual é o problema a ser resolvido, quem ele afeta e qual a sua causa.

Dica de Leitura: 6 Princípios da Persuasão Para Aplicar em Projetos de UX Design

Quais os principais erros do dia de mapeamento?

O dia do Mapeamento é o dia mais importante do processo de Design Sprint. Porque as informações coletadas nele é que direcionarão os outros dias do seu processo.

Dessa forma, existem alguns cuidados que você precisa tomar para que o dia do mapeamento não seja prejudicado. Com isso em mente, abaixo estão os erros mais comuns que os Designers cometem no primeiro dia de Design Sprint:

  • Criar um problema sem ter efetuado nenhuma pesquisa;
  • Prolongar as atividades e não controlar o tempo;
  • Enviesar a pesquisa;
  • Querer solucionar diversos problemas. É preciso ter foco;
  • Querer solucionar um problema "impossível" ou um problema muito fácil, mas que não agrega valor ao negócio.

Portanto, fique atento e não cometa algum dos erros acima, com o risco de prejudicar o seu processo de Design Sprint inteiro.

Fim do primeiro dia do desafio Design Sprint

Com este artigo, esperamos poder ter ajudado de uma forma mais prática a entender, elaborar e realizar o primeiro dia do Design Sprint.

Mesmo que você opte por não efetuar o desafio tendo a ONG Miaudota como cliente, os passos acima listados podem ser utilizados com qualquer outro stakeholder.

Enfim, este foi o primeiro dia do Desafio Design Sprint! Ainda restam mais 4 dias! Então, não perca tempo e confira o que acontece no 2º dia do DS:

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