Luz: A Matéria-Prima Da Fotografia

Entenda o que é a Luz e como ela se comporta para compor as suas fotografias!
Luz: A Matéria-Prima Da Fotografia

Quando observamos alguns profissionais discutindo sobre fotografia, muito se fala sobre composição, equipamentos e outros assuntos do tipo. No entanto, poucos falam — e conhecem — sobre o ingrediente mais importante do tema: luz, a matéria-prima da fotografia.

Se voltarmos às origens da palavra fotografia — derivada do Latin —, identificamos que ela vem de Photos (Luz) e Graphien (desenhar). Juntando esses significados temos algo como "Desenhar com a luz".

Nesse sentido, ter um conhecimento bem desenvolvido acerca de como a iluminação funciona e de que maneiras podemos explorá-la é de suma relevância na arte de fotografar. Com o domínio desse elemento você conseguirá criar a imagem que deseja, com a mensagem que quer comunicar e o clima que deseja transmitir.

Mas para isso você precisa entender o que é a Luz e como ela funciona. Por isso, nesse artigo darei uma introdução para te ajudar a iniciar a sua caminhada.

Esse artigo foi baseado no livro: A luz perfeita, Guia de Iluminação para fotógrafos, de Bill Hunter

O que é a luz ?

A luz é uma energia que se desloca em ondas, as quais, por sua vez, movimentam-se através de um meio, como o ar ou a água.

Vamos dar um exemplo real para facilitar o entendimento: imagine aquelas ondinhas que fazemos ao entrarmos na piscina. É água que se move? Na verdade, a água fica parada e as ondinhas nada mais são do que a energia gerada com a nossa entrada na água.

No entanto, as ondas de luz são diferentes das ondas de água porque não precisam de um meio pela qual elas precisem viajar. Na realidade, o melhor lugar para a luz se deslocar com total eficiência é o vácuo.

Dessa forma, o espaço sideral é o lugar em que a luz viaja com maior facilidade porque, segundo a ciência, é o mais próximos que conhecemos de um vácuo perfeito. Outros elementos, como o ar e a água, apenas criam arrasto, retardando o percurso da luz.

A luz viaja no vácuo a uma velocidade de incríveis 299.792.458 m/s , fazendo dela um dos fenômenos mais rápidos do Universo.

As ondas de Luz são constituídas de energia elétrica e magnética. E como toda forma de energia eletromagnética o seu tamanho é medido em comprimento de onda, que é a distância entre dois pontos correspondentes, em ondas sucessivas. O comprimento de onda da luz que podemos ver varia entre 400 a 700 nanômetros (que é um milionésimo de milímetro ou um bilionésimo de metro).

Lembrando que o espectro visível é somente uma parte pequena de toda a extensão do espectro eletromagnético, onde também podemos encontrar ondas de rádio, micro-ondas, infravermelhos, raios-x, ultravioletas e Raios Gama, que são tipos de ondas diferenciadas pelo seu comprimento.

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Do que é feita a luz?

A matéria-prima que compõem a luz chama-se fótons.

Na verdade, quando vemos alguma luz a olho nu, estamos vendo incontáveis fótons movendo-se pelo espaço como ondas eletromagnéticas. Esses fótons são produzidos por fontes de luz e refletidos nos objetos.

"Um átomo de material tem os elétrons orbitando em seu núcleo. Diferentes matérias têm diferentes números de elétrons orbitando em seus átomos individuais. Quando os átomos são estimulados ou energizados, geralmente pelo calor, esses elétrons mudam para uma órbita diferente, revertendo-se gradualmente. E neste processo são emitidos fótons — a luz visível —, que tem um comprimento de onda ou cor específica. Se houver fótons suficientes e a frequência for dentro do espectro visível, nossos olhos percebem essa energia como luz e nós conseguimos ver. Então, qualquer sistema que produz luz, seja ele uma lâmpada caseira ou até mesmo o vagalume, o faz energizando átomos de alguma maneira." (HUNTER, Bill, 2010)

Como a luz se comporta?

Como dito, a menos que esteja viajando no vácuo, a luz sofre influência do meio na qual está inserida e isso altera como ela se comporta.

Nesse sentido, existem 04 situações diferentes que podem acontecer com as ondas de luz quando elas atingem determinado meio:

  1. Podem ser refletidas ou dispersadas: quando elas encontram um espelho, por exemplo, elas são refletidas. Quando atravessam um objeto translúcido, como as nuvens ou um tecido como nylon, o mesmo material usado na construção de hazy lights, elas são dispersadas (mais conhecidas como luzes suaves);
  2. Podem ser absorvidas: quando encontram um superfície que as absorvam, como acontece com os isopores ou estúdios pintados de preto, para que as luzes emitidas pelos flashes ao baterem nas paredes pretas não retornem para o objeto fotografado;
  3. Podem ser refratadas: como acontece quando as luzes passam pelos vidros e líquidos;
  4. Podem ser transmitidas sem nenhum efeito sobre elas.

É importante ressaltar que também podemos ter mais de um desses resultados acontecendo ao mesmo tempo, como quando fotografamos um objeto feito de parte reflexiva, translúcida e ainda com uma parte que absorva (material) a luz.

Isso é muito comum quando com fotos de jóias e produtos, pois muitas vezes eles são compostos por vários tipos materiais diferentes. É aqui que está a chave para entendermos a iluminação em um ambiente de fotografia.

A seguir, vamos detalhar um pouco mais cada uma dessas situações de comportamento da luz.

Reflexão

Uma das características importantes da luz na fotografia são as ondas de luz refletidas. Quando a luz atinge uma superfície que é reflexiva em um ângulo que pode ser igual ou oposto (por exemplo, a luz do sol atingindo um espelho), o resultado se torna previsível.

Na verdade, onda refletida sempre ocorrerá em uma superfície lisa e será refletida em um ângulo igual e oposto ao qual a onda de luz atingiu a superfície.

Resumindo em termos simples, o ângulo de incidência é igual ao ângulo de reflexão. Então, levando essa regra para a fotografia, você deverá sempre ficar atento ao iluminar superfícies reflexivas, para eliminar reflexos e pontos especulares indesejados.

Saber dessa regra é muito importante no momento de se fotografar jóias, bebidas e metais reflexivos, pois você entenderá que para iluminar um objeto reflexivo a luz frontal não será a melhor opção no set de iluminação.

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Dispersão ou Difusa

A dispersão é um tipo de reflexo, mas de uma superfície mais áspera. Pelo fato dessa superfície ser desigual, as ondas de luz incidentes refletem em vários ângulos diferentes. Um exemplo acontece quando usamos a famosa placa de isopor para rebater a luz e preencher uma parte do objeto ou pessoa a ser fotografado.

Outro exemplo são as superfícies translúcidas que deixam passar um pouco de luz, mas dispersam uma quantidade também, como os Softboxes, Hazys, Sombrinhas Difusoras e painéis Difusores.

A luz, ao passar por esses objetos, é descartada na dispersão e as ondas são transmitidas em ângulos diferentes, produzindo um fenômeno que chamamos de luz difusa.

Absorção

Quando a luz não é nem refletida, nem transmitida por um meio, ela é absorvida. E como se dá essa absorção? Ela geralmente resulta na produção de calor, mas não de luz. Como acontece com as placas foam de lado preto, tapadeiras pretas, porque eles absorvem a luz que chega neles.

A intensidade da luz

Outra característica da luz tem a ver com a intensidade. Sabemos que a iluminação de uma fonte de luz cai consideravelmente conforme a distância que ela se afasta da fonte, ou seja, quanto mais longe da fonte (emissor) mais fraca ela fica.

A luz de fontes que não sejam o sol decai em sua intensidade e esse fenômeno é conhecido como a Lei do Inverso do Quadrado da distância, que diz que o aumento ou a redução da luz em um modelo ou objeto é inversamente proporcional ao quadrado da distância da fonte de luz no modelo ou objeto. Ou seja, se dobrarmos a distância da fonte de luz no modelo ou objeto, a iluminação será reduzida para um quarto da intensidade original.

O sol e a intensidade da luz

A lei de Inverso do Quadrado aplica-se para todas as fontes de luz, mas não é particularmente relevante para o Sol. Isso porque a Terra se torna insignificante em relação a qualquer mudança potencial na nossa distância relativa do Sol. Para efeitos práticos o sol é infinitamente brilhante. Sendo a única fonte de luz na qual não se esvanece quando quando a distância aumenta em relação a fonte.

A cor da luz

Para finalizar falaremos sobre a cor da luz.

Quando olhamos para a fonte de luz visível, ela parece ser incolor ou branca. Mas na verdade é uma mistura de cores que percebemos como a cor branca.

Como sabemos disso? Simples. Para visualizar esse conceito basta passarmos a luz branca por um Prisma, dessa forma obteremos o famoso arco-íris de cores, que nada mais é do que os componentes individuais do espectro visível.

Mas, mesmo nossos olhos percebendo a luz visível em sua maioria como branca, poucas fontes de luz, na verdade, são neutras em sua coloração. Algumas têm uma dominante de cor, seja amarelado das lâmpadas caseiras incandescentes ou a coloração esverdeada de muitas lâmpadas fluorescentes. Nós podemos medir a cor da luz em graus Kelvin (K), conhecida como temperatura de cor.

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Tudo bem, falamos da luz na fotografia, mas o que isso tem a ver com Photoshop?

Eu diria que tudo, pois se você souber fotografia e como a luz se comporta de forma fotográfica, você saberá aplicar esse conhecimento quando for manipular um retrato, criar uma composição, ou ainda, criar um cenário/Matte Painting e até mesmo criar um concept para game.

Caso você não saiba o básico sobre direção de luz, pode acontecer de suas artes contemplarem erros primários.

Um exemplo simples, mas que já aconteceu: em uma arte, colocar a sombra do mesmo lado em que está a fonte de luz. Essa situação, no mundo real, é impossível. Se você tem uma luz à direita do modelo, a sombra estará obrigatoriamente à esquerda dele.

Esse caso acontece porque o artista não possui estudos básicos sobre luz e fotografia.

Então, se vc quiser ser um bom artista digital e criar excelentes trabalhos com o Photoshop, aconselhamos que além de estudar o software também estude fotografia e iluminação fotográfica.

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