Transformei o ‘Não’ numa Oportunidade em UX Design – Entrevista com Letícia G.

Nesta entrevista, Letícia Gonçalves nos conta detalhes da sua migração para UX Design! Confira e inspire-se!

Letícia é aluna do Bootcamp MID e nesta entrevista nos conta como foi o seu processo de migração para UX Design.

Ela teve diversas experiências anteriores ao UX até entender que experiência do usuário era o caminho que realmente lhe encantava.

Além disso, Letícia nos conta como se mantinha motivada mesmo com diversas negativas em processos seletivos; e como transformava os ‘nãos’ em oportunidades para conseguir sua primeira vaga na área.

Continue e inspire-se com esse bate-papo!

Letícia, para começar, apresente-se para nós!

Felipe, obrigada pela oportunidade! Eu acho que todo mundo tem o primeiro contato com a Aela através dessas entrevistas, e é assim que a gente acaba conhecendo melhor a escola. Então, é um prazer estar aqui compartilhando a minha história!

Eu sou a Letícia, moro em São Paulo e sou formada em design. Mas meu curso de formação é um pouco diferente do convencional.

Não sou formada em design gráfico, nem em design de produto. A faculdade que fiz é um design mais geral e durante o curso tive muito contato com projeto. Então, aprendi muitas metodologias e a como pensar e implementar projetos.

Depois da faculdade, tive contato com fotografia, audiovisual e design gráfico, até que encontrei o UX Design, a Aela e o MID.

Dica de Leitura: O que é o MID?

Como que surgiu o UX Design na sua vida, exatamente?

Eu sempre gostei muito de histórias e escolhi cursar design porque eu queria trabalhar com cinema e animação.

Acreditava que ir para design me traria mais possibilidades do que fazer uma faculdade de audiovisual ou cinema, propriamente dito.

No entanto, durante o curso, fui percebendo que a animação talvez não fosse o que eu realmente gostasse e entrar nesse mercado era muito difícil.

Então, fui me envolvendo com outras matérias e acabei descobrindo o audiovisual como um todo, que ia muito além da animação. Particularmente eu gostava bastante da parte de roteiros e criação de storytelling.

Consegui estagiar numa produtora e foi uma experiência muito legal, mas novamente me deparei com a dúvida se essa carreira era realmente a que eu gostaria de seguir.

Por isso, depois de me formar, decidi trabalhar com design gráfico. Eu tinha estudado algumas matérias na faculdade e sabia que poderia me dar bem na área. Mas fiz esse movimento mais para testar como me sairia no mercado.

Trabalhei, então, como designer gráfico numa empresa de eletrônicos para cabeleireiros, onde fazia todo design da empresa. Mas a minha participação se limitava à parte visual, não me envolvia com as funcionalidades ou melhorias dos produtos.

Eu sentia muita falta de participar mais dessa parte de desenvolvimento de produto e sempre ficava pensando se o que eu fazia era realmente o que o usuário queria.

Comecei a perceber que esse era um mercado — design gráfico — muito por demanda e efêmero. O meu trabalho — que não era pouco — terminava assim que o cliente postava o banner, por exemplo. Eu não via a continuidade nem o impacto do meu trabalho e isso me deixava bem triste.

Depois de um ano em design gráfico, comecei a repensar a rota. Pedi demissão e tirei um ano para pensar no que eu gostaria de fazer.

Nesse tempo, fiz um curso sobre fotografia de produto e comecei a trabalhar com isso. Tirava fotos para grandes empresas, mas ainda sentia que não era isso o que eu queria fazer.

Foi quando uma pessoa virou para mim e perguntou: você já pensou em seguir para UX Design?

Eu vi algo sobre a área na faculdade, mas eu não tinha gostado muito. Na época eu achava que UX era só ficar desenhando tela e não era isso o que eu queria.

Mas pensei bem e resolvi ouvir esse conselho. Dei uma segunda chance para o UX Design.

Pesquisei bastante sobre a área e acabei lendo o livro “Não Me Faça Pensar”. E nossa, isso explodiu a minha mente! Na hora eu pensei: é isso o que eu quero fazer! Eu quero ajudar as pessoas e desenvolver produtos com valor e importância!

Apesar de ter me formado em design, eu não me sentia preparada para tentar migrar para UX. Embora sejam mundos próximos, são áreas bem diferentes.

Pesquisando mais, acabei encontrando a Aela no final de 2019 e me inscrevi no MID.

Eu me encantei com o curso, aprendi muita coisa e a minha mentalidade mudou muito. Hoje, depois de 2 anos, eu sou uma outra pessoa, com outro pensamento! Sou outra Letícia.

Portfólio de UX Design de Letícia Gonçalves, entrevista com usuários
Portfólio Letícia Gonçalves

Que história! Você entrou no MID no final de 2019 e ficou focada nos estudos em 2020, foi isso?

Como eu entrei no MID no final de 2019, sabia que não conseguiria estudar muito durante esse ano.

Então, em 2020, eu decidi que terminaria o nível 2 e a partir disso começaria a procurar e aplicar para vagas de UX Design.

Dica de Leitura: Design – Estou Na Profissão Errada?

No final das contas, você conseguiu cumprir com esse plano?

Como eu havia pedido demissão, eu levei o MID bem a sério, como um trabalho mesmo.

Eu estava disposta a migrar para UX Design, então, acordava cedo, estudava o dia inteiro, de segunda a sexta.

Fiz um cronograma para me organizar e estabeleci metas.

Foi um ano levado bem a sério e deu muito certo. Eu até me surpreendi com a minha dedicação em foco.

Consegui completar o nível 3 antes de começar a procurar vagas na área.

Como que a pandemia afetou seus estudos e planos para migrar para UX Design?

Eu acho que a pandemia afetou as minhas expectativas de oportunidade de trabalho. Antes de tudo, eu achava que seria mais fácil, mas não foi exatamente assim.

A pandemia deixou as coisas mais complicadas e vagas júnior não são tão comuns assim.

Então, falando sobre oportunidades em UX Design, a pandemia realmente me impactou e acho até que retardou a minha entrada no mercado.

Mas em relação aos estudos foi um momento bom. Eu aproveitei que não tinha mais atividades fora de casa e consegui focar nos estudos.

Portfólio de UX de Letícia Gonçalves, descrevendo a jornada do usuário
Portfólio Letícia Gonçalves

Houve um impacto por conta da pandemia, mas agora em 2021 já sentimos o mercado de UX Design diferente. Como que foram esses dois momentos para você?

Eu comecei a aplicar para vagas em julho e agosto de 2020.

Até recebi algumas oportunidades, mas no final nunca dava muito certo. Fazia todas as entrevistas e depois recebia um não.

No começo isso é bastante frustrante. Acho que o primeiro ‘não’ a gente nunca esquece porque começamos a duvidar da nossa capacidade e nos questionamos se estamos realmente no caminho certo.

Mas uma coisa que eu fiz depois de algumas negativas foi pegar esse ‘não’e fazer disso um combustível para fazer cada vez melhor.

Comecei a perceber que receber um ‘não’ não significava que todas as oportunidades do mundo tinham se fechado para mim.

Foi depois de um ‘não’ que decidi melhorar meu portfólio e me dediquei totalmente para o projeto do nível 3 do MID.

Aproveitei as diversas dicas que os mentores deram para melhorar o portfólio. Trabalhei o storytelling e fiz a tradução para o inglês.

Essas mudanças já chamaram a atenção de muita gente. Quando postei esse projeto do MID no LinkedIn, muitas pessoas vieram falar comigo e percebi que poderia ir desbravando esse caminho.

A pandemia deixou a busca por oportunidades em UX Design mais difícil pra mim, mas eu tive que aprender a driblar isso.

Dica de Leitura: 6 Dicas Essenciais Para Montar o Seu Portfólio de UX Design

Você conquistou a vaga em 2020 ou 2021?

Foi no dia 25 de dezembro de 2020! Um ótimo presente!

Na verdade, foi assim, na manhã de Natal eu estava tranquila já me planejando para o próximo ano.

Eu entrei na comunidade de alunos do MID no Slack e vi uma oportunidade!

Então eu me candidatei e fiz as entrevistas no período entre festas, do dia 26 ao dia 30.

O processo foi bem rápido! Recebi a resposta já no dia 3 de janeiro! A vaga era para a Indra e essa foi a minha primeira oportunidade!

E como está sendo 2021, trabalhando em UX Design?

O mundo de UX Design é muito louco, né?

Na minha primeira vaga eu pensei que ficaria na empresa durante bons anos, mas depois de 7 meses na Indra acabei aceitando uma proposta na TOTVS, que é aonde trabalho atualmente.

No geral, eu percebo que cresço a cada dia.

Na Indra, eu não tinha pessoas mais experientes para me apoiar, então percebi que eu tinha que evoluir muito rápido; e para isso eu tinha que estudar muito.

O crescimento que eu tive na Indra foi absurdo! Você começa a perceber as dicas, o feeling das coisas; saber quando aplicar a ferramenta certa; você entende que nem sempre o processo precisa ser feito por completo. Eu comecei a entender tudo isso.

Hoje, na TOTVS, sinto que entrei com muito mais maturidade. Apesar de estar na empresa apenas há um mês, eu não tenho os mesmos medos e receios de quando eu entrei na Indra.

Claro que ainda tenho dúvidas e dificuldades, mas o medo eu não tenho mais. Sinto que eu já passei pelo caminho das pedras!

Portfólio de Letícia Gonçalves, definição do problema
Portfólio Letícia Gonçalves

Como que foi receber uma nova oportunidade em UX Design sem estar esperando por isso?

Eu achei tudo muito engraçado.

Quando eu estava procurando pela primeira oportunidade, as pessoas não vinham falar comigo, não havia vagas. Era muito mais eu correndo atrás do que recebendo propostas.

A partir do momento que eu entrei na Indra e coloquei no LinkedIn que havia começado a trabalhar com UX Design, o volume de pessoas me mandando mensagens aumentou demais!

Recebia oportunidades e contato de recrutadores praticamente toda semana!

Nisso, eu comecei a filtrar o que eu olhava e o que eu descartava.

No começo, na Indra, eu decidi que não iria olhar para nenhuma outra oportunidade. Porque eu estava no meu primeiro emprego como UX Designer e precisava adquirir maturidade; precisava da experiência profissional.

Então, nesse tempo, eu sempre respondia os recrutadores agradecendo o contato, mas dizendo que não era o momento para eu mudar.

Depois de um tempo na Indra, comecei a sentir falta de uma mentoria, de uma equipe e eu sabia que ali eu não teria essa oportunidade.

Quando a TOTVS me contou dessa vaga, eles estavam montando uma equipe de design. Na hora eu pensei que aquele era o momento perfeito para mudar. Apesar de gostar muito do trabalho que estava fazendo na Indra, eu sentia que precisava dessa mudança.

Qual foi o principal aprendizado que você tirou durante seus processos seletivos?

Acredito que foram duas coisas.

A primeira foi dominar e estruturar bem o portfólio.

Às vezes você vai para a entrevista achando que é só um bate-papo, mas as pessoas podem pedir para você apresentar um projeto ali na hora.

Então, se você tem um portfólio bem estruturado e que você domine bem, você não vai ser pego de surpresa nesse momento.

O segundo aprendizado que tive foi perceber quais as perguntas que os recrutadores mais faziam e como eu deveria contar a minha história e responder essas perguntas.

A dica que eu dou é criar um storytelling da sua trajetória, não contar casos soltos. Tentar envolver as pessoas para que elas entendam o que você viveu, o que você pretende fazer e quais são os seus objetivos profissionais. Assim, fica mais fácil criar uma empatia.

No mais, a dica que dou é para segurar a ansiedade. Ter calma é fundamental e uma hora as coisas vão acontecer.

São vários ‘nãos’ que a gente recebe e a gente tem que tirar proveito deles. Eu não preciso de todos os ‘sim’, mas de apenas um. Você vai aprendendo coisas que não sabia, com cada negativa que você recebe.

Um bom exemplo disso é uma entrevista para qual fui chamada para fazer em inglês. Eu nunca tinha conversado profissionalmente em inglês.

Depois de 3 etapas de processo seletivo, recebi a negativa. Mas disso eu aprendi e percebi que eu era bem capaz de falar inglês profissionalmente.

São esses aprendizados que temos que levar, apesar das negativas dos processos.

Dica de Leitura: Como Mandar Bem Em Um Processo Seletivo para UX Design?

Como que você fez para contar toda a sua história nos processos seletivos? Porque você teve muitas experiências antes de decidir migrar para UX Design

Eu percebi que muitas pessoas não recebem bem a informação de que tentei várias carreiras no passado. Isso até me faz lembrar de uma situação.

A recrutadora me perguntou por que eu tinha ficado sem trabalhar antes de migrar para UX Design. Ficou me questionando sobre os motivos de não ter feito um curso enquanto estava trabalhando. Por que eu tinha tomado essa decisão tão drástica?

Depois disso, eu percebi que não poderia simplesmente contar que pedi demissão e fui tentar me encontrar, porque desse jeito parece que fui muito inconsequente.

O que eu entendi era que precisava conectar tudo o que fiz até chegar em UX Design.

Eu sempre tive essa veia de UX, eu só não sabia. Eu gostava de trabalhar com processos, projetos, conversar com pessoas, resolver problemas e melhorar experiências, eu só não sabia disso.

Mas hoje, parando para refletir, consigo identificar todas as coisas que fiz e que me conectam com UX Design.

Em audiovisual eu gostava de contar histórias; na fotografia eu quis me aproximar das pessoas.

Quando trabalhei com Design Gráfico, eu acabei desenvolvendo mais facilidade em interfaces, mesmo sabendo que a estética não é a prioridade em UX. Esse foi um aprendizado que foi importante pra mim.

Portanto, para contar sua história, conecte tudo o que você passou com aonde você quer chegar.

Você está aqui hoje querendo ser um UX Designer por algum motivo. Esse motivo provavelmente respingou por toda a sua vida. Você só não havia dado conta disso.

Portfólio de UX Design de Letícia Gonçalves, sketches e wireframes
Portfólio Letícia Gonçalves

Qual seu maior aprendizado até agora e que você contaria para a Letícia do passado?

Hoje eu digo com certeza que migrar para UX Design foi a melhor decisão da minha vida.

Com certeza fazer o MID foi um investimento que eu não pensaria duas vezes em fazer de novo. Foi o melhor investimento que fiz, e o retorno já veio!

Então, eu falaria para a Letícia do passado focar em UX, lá no começo!

Eu nunca ouvi falar de UX na faculdade. Eu até tinha contato com algumas ferramentas que uso hoje, mas que não sabia que eram utilizadas em UX.

Então, se eu tivesse tido esse contato com a área, com certeza eu teria migrado antes.

Mas eu também entendo que todas as experiências que passei eram para ter acontecido e ajudaram a formar que eu sou hoje.

Todas as experiências que tive me ajudaram profissionalmente.

Nesse sentido, eu não sei se eu apagaria tudo. Por um lado, eu falaria para a Letícia do passado focar em UX, mas ao mesmo tempo também diria para ela experimentar essas outras áreas porque, no final do dia, elas trouxeram experiências bem legais.

Outra coisa que aprendi é que trabalhar em equipe é importante. Você não constrói o mundo sozinho.

No passado, eu tinha muito apego e não dividia as coisas com as outras pessoas.

Hoje eu sei que essa troca é essencial. Dividir as dores, saber a opinião das outras pessoas e pensar junto. Eu também diria isso para a Letícia lá de trás. Vai com calma, o mundo não é seu, é compartilhado!

Letícia, muito obrigado pelo seu tempo e por compartilhar sua trajetória! Muito sucesso na sua caminhada!

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