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Parceria Nos Estudos Me Ajudou a Migrar Para UX Design — Entrevista Giulia Pignati
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Parceria Nos Estudos Me Ajudou a Migrar Para UX Design — Entrevista Giulia Pignati

Giulia Pignati é aluna do Bootcamp MID e conseguiu migrar para UX Design, com um background em Design Gráfico.

Neste bate-papo, Giulia nos conta como conseguiu conciliar seus estudos, em meio à maternidade e pandemia.

Além disso, ela nos conta como foi importante encontrar uma parceira nos estudos, para trocar experiências e se manter motivada.

Giulia, apresente-se para te conhecerem um pouco melhor

Obrigada pelo convite, Felipe!

Meu nome é Giulia, eu comecei no Bootcamp MID em 2020 e estou atuando no mercado há uns sete meses.

Eu sou formada em Design Gráfico desde 2016 e já vinha atuando nessa área há um tempo. Trabalhei para agência, para campanha política, já tentei migrar para design de interiores, mas também não fiquei completamente satisfeita.

Em 2020, eu tive um contato mais forte com UX e UI. Quando surgiu esse interesse, comecei a estudar e encontrei o MID.

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O que te chamou atenção em UX Design que te fez decidir ir por esse caminho?

Em um primeiro momento, o que mais me chamou a atenção foi o aspecto visual, porque eu sempre trabalhei muito voltado para isso.

Eu via no LinkedIn o pessoal postando telas bonitas e eu curtia bastante e pensava: “poxa, deve ser legal trabalhar com isso”.

Mas o que me fascinou mesmo foi descobrir a parte da pesquisa que era o que embasava tudo o que eu via. Porque tudo tinha uma razão, um sentido, um motivo. Não era simplesmente fazer algo porque estava bonito.

Quanto mais me aprofundava nessa parte de pesquisa, mais aumentava o meu interesse. Foi quando eu tive certeza que era isso o que eu gostaria de fazer. Construir algo não porque vai estar bonito, mas porque tem um todo um fundamento, um sentido e estudo por trás.

Eu acho que foi isso que me pegou de verdade em UX Design.

Portfólio UX Design
Portfólio Giulia Pignati

Muitas pessoas que vêm do Design Gráfico têm dificuldade quando começam em UX Design. Muito por conta da questão visual. Como foi esse processo pra você?

Isso aconteceu comigo também.

Às vezes eu focava muito no visual e foi muito difícil ter que me desprender desse pensamento.

Eu tinha que deixar minha mente limpa antes de pensar em qualquer coisa visual e isso é muito difícil.

A parte de pesquisa foi extremamente desafiadora, particularmente. Quando eu comecei a fazer os projetos, eu vi o quanto aquilo era complicado e diferente.

Então, eu comecei a fazer aos pouquinhos e mandava para a mentoria [do MID]. Pedia ajuda e avaliação, e todo feedback que eu recebia de volta, todas as indicações de livros e artigos, eu parava para ler e estudar.

Isso porque estava claro para mim que a parte de pesquisa era o meu ponto fraco.

É muito legal saber da sua dedicação! Você diria que essa mudança de mindset te ajudou a entrar no mercado? Ou foi outra coisa?

Com certeza foi a mudança de mindset e o MID me ajudou muito nesse caminho. Porque é muito fácil você pensar em mudar, mas isso não acontece de uma hora para outra.

Você vai bater de frente e vai errar.

A minha primeira vaga veio até mim pelo LinkedIn. Eu postei um projeto do MID no Behance e compartilhei no meu perfil da plataforma. Por meio desse post, alguns recrutadores vieram falar comigo e a partir disso surgiu a oportunidade de fazer um desafio.

O desafio pedia uma solução para um problema e eu encarei como se fosse um projeto do MID. Resolvi trabalhar com tudo o que eu estava aprendendo e entendendo.

Só depois que eu saí da empresa foi que a recrutadora veio me falar que o meu foi o melhor projeto-desafio que ela já tinha recebido até então. Ela disse que nunca tinha visto nada tão bem estruturado, com uma pesquisa tão aprofundada daquele jeito.

Pensei em como que isso era normal no MID, algo que todo mundo faz. Fiquei surpresa de ter esse feedback porque, pra mim, aquilo era o mínimo esperado.

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Você começou o MID no final de 2020, já com a pandemia acontecendo. Diante desse cenário caótico, como você fez para manter o foco e a saúde mental?

Olha, foi complicado porque um dia antes de começar o lockdown na minha cidade eu tive meu filho.

Então, no começo da pandemia eu estava com um bebê em casa.

Mas eu acho que no fundo foi isso que me ajudou a manter a sanidade. Dentro de casa a vida era normal, com criança você tem trabalho o tempo todo.

Essa situação me ajudou a manter o foco. Eu precisava fazer aquilo, estudar e me dedicar ao curso. Eu já tinha me comprometido e eu sabia que não poderia ser algo que fiz apenas por impulso do momento. Eu realmente queria investir na carreira de UX Design.

Toda a situação era difícil, estávamos com o bebê, sem ajuda de ninguém, trancados em casa. Mas chegava à noite, eu colocava ele no berço e a única coisa que eu podia pensar era em fazer o curso, avançar com um projeto e coisas do tipo.

Acho que ficar isolada também me ajudou a não me preocupar com outras coisas e dar foco nos meus projetos pessoais. Se eu tivesse convites o tempo todo para sair, ou algum evento para ir, talvez eu me distraísse mais.

Então, a pandemia foi horrível para todo mundo, mas no fundou ela me ajudou nesse sentido.

Portfólio Giulia UX Design
Portfólio Giulia Pignati

Você organizou sua vida de alguma forma específica para criar hábito relacionado aos estudos?

Na verdade não.

Era muito difícil porque com um bebê pequeno eu não tinha hora certa para nada. Meu marido trabalhava o dia inteiro, mesmo de casa, e eu não conseguia controlar o meu horário.

A hora que dava para estudar, eu estudava.

Eu acho que quando você está muito ocupada, você consegue ser mais produtiva do que quando você tem tempo livre. Porque o pouco tempo que você tem, você quer usar para produzir algo de alguma forma.

A única coisa que eu fiz foi sempre ter as minhas leituras em dia. Então, eu sempre lia as leituras complementares e os livros que vocês indicavam no MID.

Quando eu percebia que eu tinha algum ponto a melhorar, seja num projeto, numa etapa ou porque não estava conseguindo acompanhar o nível das outras pessoas no curso, eu procurava ler um livro sobre o tema.

Quando eu me senti fraca em pesquisa, eu procurei ler o Just Enough For Research, que você sempre comenta muito.

Desde o início, eu já tinha lido o Don’t Make Me Think, o Lean UX e assim por diante.

Sempre que eu sentia alguma dificuldade com um tema, eu procurava um livro que vocês já tinha indicado para me aperfeiçoar.

Nisso, chegou uma época que eu estava lendo cerca de um livro por semana. Eu lia rápido para não deixar os projetos muito tempo parados e para já tentar ir aplicando esse conhecimento.

E sempre que eu precisava, eu voltava e consultava os livros, as minhas anotações e marcações. Porque a gente não lembra de tudo o que lê, então é importante fazer essa revisão.

A leitura abriu muito a minha mente com relação a diversos assuntos. Por mais que eu lesse muitos artigos, eu sentia que os livros eram bem mais aprofundados.

Essa foi a única prática que eu segui durante o meu processo de estudos de UX Design. Quando sentia dificuldade em algo, procurava um livro.

No MID, a gente estimula o desenvolvimento da comunidade, dizendo para você estudarem em pares. Como que foi esse processo e como você pode extrair o máximo disso para os estudos?

É interessante você falar disso porque hoje em dia eu aconselho essa prática para todo mundo.

No começo do curso, eu não tinha um par para estudar. Eu não tinha ninguém que morasse perto de mim, na minha cidade. Nesse início, muitas pessoas ficam procurando alguém que esteja perto, mas eu não achei ninguém e fiquei um tempo sem um par.

Além disso, eu achava que não seria bom porque, como eu falei, eu não tinha uma rotina definida. Eu fazia as coisas quando dava, no meu tempo. Então, eu achava que essa minha dinâmica poderia acabar atrapalhando meu par.

Mas a verdade é que isso é besteira. Hoje eu falo que pessoas em diferentes níveis podem se ajudar e isso dá muito certo.

Depois de um tempo sozinha, eu comecei a trocar ideia com a Amanda, que era uma amiga minha que já estava no curso e já tinha um par. Ela me botou num grupo com outras meninas, e a gente super se ajudava lá.

Compartilhávamos projetos, tirávamos dúvidas, nos ajudávamos em momentos de desespero e ansiedade, enfim.

Eu fiquei muito próxima da Amanda, a gente sempre estava conversando, trocando ideia, tentamos até fazer um mini clube do livro. Trocávamos feedbacks e nos incentivávamos de diversas maneiras.

Quando uma das duas estava mais afastada, a outra puxava ela de volta. E toda essa parceria e incentivo fez toda a diferença pra mim.

Eu posso dizer com certeza de que ela me ajudou a conseguir o meu emprego atual. Ela me ajudou não somente em desafios técnicos, mas nas apresentações que eu precisava fazer. Ela estava sempre disposta a me ajudar.

Eu sempre fui uma pessoa muito tímida e ela me ajudou a superar isso, me fazendo apresentar um projeto na Aela. Isso tudo me abriu muitas portas e vou ser eternamente grata a ela por isso.

Por isso que sempre que alguém me pergunta sobre isso, eu respondo que é importante arranjar um par, um colega para conversar e se ajudar. Isso vai fazer toda a diferença.

Portfólio UX Design Giulia
Portfólio Giulia Pignati

Você comentou sobre ansiedade. Como vocês se ajudavam para controlar a ansiedade e seguir com calma?

Na maioria das vezes, a gente compartilhava as nossas inseguranças sobre os projetos, sobre o avanço nos estudos e etc.

Mas quando cada uma de nós jogava isso no grupo, as outras já incentivavam, elogiando os projetos, dando dicas, conselhos e coisas do tipo.

Era muito legal porque a gente elevava as coisas boas e tentávamos nos ajudar sempre.

No final do dia, era sempre uma questão de insegurança.

Acho que a questão da ansiedade é que tem gente que quer arranjar um bom emprego em pouco tempo. Com a gente era um pouco do contrário. A nossa insegurança fazia a gente pensar que nunca estaríamos prontas para aplicar para uma vaga.

Eu e a Amanda, por exemplo. As oportunidades tiveram que chegar para a gente. Se a gente fosse esperar para nos sentirmos seguras para aplicar para uma vaga, talvez tivesse demorado bem mais para acontecer.

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Como foi esse processo para conseguir a primeira vaga em UX Design?

Não foi do jeito que eu esperava. Na verdade, eu achei que foi muito rápido!

Depois que fiz a postagem do projeto no LinkedIn, veio a recrutadora de uma empresa de São Paulo e um recrutador de Londres.

Só que no caso da empresa de Londres, eles estavam precisando de uma pessoa que já tivesse mais experiência em UX Design. Alguém mais sênior.

No caso da recrutadora, ela me perguntou se eu estava disponível para fazer um desafio e eu topei. Ela me mandou um PDF com um briefing e eu tinha cinco dias para desenvolver a solução de um problema para ajudar a produtividade de pessoas que trabalham remotamente.

A partir disso eu fiz todo um estudo, quase como um projeto da Aela. No final, eu até desenvolvi um protótipo em alta fidelidade. Isso era um diferencial que eu não precisava entregar, mas eu tinha todos os estudos e pesquisas para fazer e acabei desenvolvendo.

Fiz um protótipo navegável, entreguei o desafio e no mesmo dia a recrutadora entrou em contato comigo perguntando se eu tinha disponibilidade para uma entrevista.

Fiz a entrevista, contei pra ela um pouco sobre mim, falei que eu não tinha experiência e fiz um teste rápido de inglês. Eles estavam precisando de uma pessoa fluente em inglês para atuar num projeto internacional.

No mesmo dia ela me mandou uma proposta e um mês depois eu comecei a atuar. Fiquei com eles por cinco meses nesse mesmo cliente internacional.

Portfólio Giulia Pignati

Para quem escuta pode parecer pouco tempo, mas foi bem intenso para você, com viagem e muitas mudanças.

Verdade. Foi a minha primeira experiência como Product Designer e com um cliente internacional. Eu nunca tinha tido essa oportunidade até então.

No meu primeiro dia já comecei participando de uma reunião, como ouvinte, mas o pessoal acaba falando com você e eu estava bastante nervosa. É ali que você coloca seu inglês à prova.

Mas deu tudo certo e pouco tempo depois eu já estava apresentando coisas para o cliente, recebendo feedback e participando muito mais ativamente. Foi muito bom.

Teve uma semana de workshop que a gente foi visitá-los lá nos Estados Unidos. Acompanhamos o dia a dia de um cliente usando a plataforma que estávamos fazendo o resdesign. Foi uma experiência enriquecedora. Em cinco meses você aprende muita coisa porque é intenso, como você falou.

Por que você parou de trabalhar com eles?

Na verdade foi porque eu recebi uma outra proposta em uma startup americana, que é onde eu estou trabalhando agora.

Inclusive, eu estou tendo a oportunidade de trabalhar com um dos mentores do MID e isso está sendo muito bom, estou aprendendo muito com ele.

No meu último emprego, eu sentia falta de ter alguém com mais experiência. Eu era a designer principal de um projeto gigantesco e extremamente complexo. Claro que eu fazia o que tinha que ser feito, mas muitas vezes batia a insegurança e era difícil não ter alguém para perguntar e compartilhar as dúvidas.

Era uma responsabilidade muito grande e claro que eu aprendi muito e dava sempre o meu melhor. Mas eu sentia falta disso, desse apoio.

Nessa nova oportunidade, além de ser mais interessante financeiramente, também tem essa questão de estar em conjunto com uma pessoa bastante experiente em UX Design e está sendo incrível.

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Você comentou que, pra sua primeira oportunidade, os recrutadores vieram conversar com você a partir de uma postagem de projeto no Behance, via LinkedIn. Você saberia dizer qual foi o diferencial para seu projeto atrair tantos olhares?

Eu não sei dizer o que exatamente chamou a atenção de cada recrutador.

Além dos dois recrutadores que comentei, outra pessoa veio falar comigo. Um brasileiro que tinha uma empresa americana e que me falou algo interessante.

O projeto que havia compartilhado era sobre o Spotify, e ele disse que esse projeto tinha relação com o produto que ele estava desenvolvendo e por isso ele ficou interessado em entrar em contato comigo,

Então, nesse caso, essa pessoa viu uma similaridade do projeto com o negócio. Mas é difícil dizer o que chama a atenção para as outras pessoas.

Acho que a primeira impressão é basicamente o visual do projeto. Mas quando você abre e se depara com uma pesquisa, com entrevista com usuários e todo o processo por trás, isso faz bastante diferença.

É muito diferente colocar o processo passo a passo ao invés de colocar só a tela final do projeto. Então, ter a história de como você desenvolveu e os motivos pelos quais você tomou as decisões daquele projeto, faz toda a diferença.

Apesar de ter sim um apelo visual que chama a atenção, eu acho que a descrição do processo é o que mais influencia no todo. Mas também tem o que comentei, tem a similaridade do projeto com o produto que estão desenvolvendo.

Portfólio Giulia Pignati

O que você faria de diferente se fosse começar o curso hoje, do zero? Algo diferente na sua rotina?

Não sei se eu mudaria algo na rotina porque isso depende muito da situação de cada um.

Se eu começasse hoje, eu faria meus projetos em etapas. Para cada etapa eu enviaria para a mentoria e procuraria ser mais confiante para apresentar os projetos nos feedbacks ao vivo, porque eles são muito enriquecedores.

Também procuraria mais cedo um par para trocar ideia, uma pessoa que estivesse empenhada como eu para compartilhar as coisas e irmos nos ajudando. Tudo isso faz bastante diferença.

Tem alguma dica que você gostaria de deixar para quem está interessado em estudar sobre UX Design?

Não espere estar preparado para começar. Você nunca vai estar preparado para começar. Comece o mais rápido possível. Não perca tempo.

Obrigado pelo seu tempo, Giulia! Desejo muito sucesso!

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