Migrar Para UX: A Chave é a Dedicação aos Estudos — Entrevista Com Tiago L.

Nesta entrevista, conversamos com Tiago Lira, que nos conta como foi seu processo de migrar para UX a partir do Design Gráfico.

Tiago Lira é aluno do MID e nos conta como foi a sua história de migração do Design Gráfico para o UX Design.

Tiago possui anos de experiência no gráfico, mas se sentia já um pouco desmotivado com a área. O estopim para tentar mudar de carreira foi quando saiu de um emprego no qual estava há nove anos.

Além disso, Tiago nos conta como estabeleceu a sua rotina de estudos e quais foram as suas principais dificuldades ao migrar para a área.

Confira a história de Tiago e inspire-se!

Tiago, obrigado pelo seu tempo! Conta um pouco do seu background, por favor

Felipe, obrigado pela oportunidade de estar aqui e poder tentar ajudar as pessoas que estão procurando um caminho novo.

Eu sou designer gráfico e passei por diversas experiências nessa área. O gráfico se tornou a minha especialidade.

No entanto, chegou um momento em que eu estava um tanto apático, procurando algo novo para deixar a minha carreira mais ativa.

Eu estava trabalhando nessa empresa há 9 anos e ser mandado embora de lá foi o ponta pé que eu precisava para sair daquela inércia.

A estabilidade te dá certa seguranças, mas isso pode atrapalhar um pouco as suas decisões também.

Eu já estava incomodado com o trabalho, mas essa mudança acabou acelerando as coisas.

Dica de Leitura: UX Design – O Que é e Como Atuar na Área?

Por que você decidiu estudar UX Design?

Quando eu estava insatisfeito com o trabalho, eu comecei a procurar por outras oportunidades.

Por conta disso, eu comecei a ver esses termos que eu não conhecia — UX, UI, Product Design. Ou melhor, que tinham uma visão diferente da que eu tinha aprendido na faculdade.

Então, eu vi uma oportunidade; pensei que poderia ser algo importante para mim.

Comecei a estudar um pouco mais sobre o assunto e percebi que apesar desses termos serem novidade para mim, eles não eram necessariamente conceitos novos.

Ao mesmo tempo que me dei conta disso, eu percebi o UX como um tipo de evolução natural do Design Gráfico.

O UX prega que devemos atender a uma necessidade dos usuários e isso sempre foi um conceito que esteve presente nos meus valores como designer gráfico.

Eu sempre procurei deixar a vida das pessoas mais fácil, por exemplo, desenvolvendo uma sinalização bem feita para uma pessoa não se perder.

A diferença é que hoje eu faço isso por interações, e isso me fascinou muito!

Nos últimos meses que passei no trabalho, comecei a conhecer melhor o que era UX, UI, Product Design e todos esses termos que, para mim, eram novos.

Surgiu o desejo de entrar nesse mercado, eu senti uma conexão; e eu entendi que eu conseguiria usar o meu background nessa nova área.

Portfólio Tiago Lira

Como foi seu processo de estudo até conseguir a primeira vaga em UX?

Assim que eu fui mandado embora da empresa, eu consegui me dedicar mais aos estudos, mas eu comecei a estudar muitos assuntos, e não somente UX.

Eu revisitei alguns conceitos antigos e técnicas, mas sempre deixava uns 3 tópicos sobre UX para estudar no dia.

Eu fiz alguns cursos menores até que um dia eu conheci a Aela e fiquei muito interessado no MID.

Mas antes de me inscrever, corri atrás para saber como que era a estrutura do curso e uma das coisas que me interessou bastante foi a parte de mentoria.

Então, foram meses de estudo bem intenso e dedicado.

Durante essa época de estudos, apareceram dois trabalhos, mas ainda em design gráfico. Eu aceitei porque não podia ficar mais tempo sem trabalhar. Senti um misto de preocupação com alívio, porque queria migrar.

Apesar de ter voltado pro mercado, eu continuei estudando E ai, veio a pandemia.

A empresa onde eu trabalhava mandou a gente para o Home Office junto com o aviso prévio. Ou seja, eu precisava me mexer para encontrar outro trabalho. Eu não queria ficar desempregado novamente.

Fiz duas entrevistas para Product Design, mas a que deu certo mesmo foi a terceira, que aconteceu já no fim do aviso prévio.

Eu atribuo essa conquista à minha dedicação e programação dos estudos, somado ao MID e o caminho das pedras que você nos mostram por lá.

O entrevistador da empresa viu meu portfólio e, mesmo que não houvesse muitos projetos de UX lá, viu que estruturei toda a minha ideia e linha de raciocínio para chegar no resultado final. E ele curtiu muito meu trabalho por isso.

Ou seja, o que vocês sempre comentam de mostrar o processo, o raciocínio realmente é algo que as empresas procuram e valorizam!

Dica de Leitura: Portfólio de UX Design – 7 Erros Para Você Não Cometer

Como foi realizar a entrevista e o processo seletivo para essa vaga?

A vaga veio até mim por indicação; algumas pessoas sabiam que eu estava buscando e me mandaram algumas oportunidades.

Na entrevista, eu fui bem honesto. Disse que a minha especialidade era design gráfico, mas que eu tava no processo de migrar para UX Design.

Para a minha surpresa, me disseram que esse era exatamente o perfil que estavam procurando.

O que a empresa tinha em mente era contratar alguém que pudesse realmente ajudar, mesmo que não tivesse anos de experiência na área. Mas o que eles estavam procurando era alguém que tivesse experiência de vida.

E isso foi algo que me motivou muito, porque eu tinha certo receio por conta da minha idade.

Em outras entrevistas, eu sentia que procuravam um perfil mais novo, com menos experiência e que pudessem pagar menos.

Como está sendo a experiência de trabalhar remotamente?

No começo é mais complicado para se acostumar. Existem reuniões em que eu sinto que a presença física faz falta.

Mas no final das contas é uma situação com a qual vamos ter que nos acostumar.

Eu acho muito importante as empresas começarem a treinar as equipes na adoção desse modelo de trabalho para o futuro.

Principalmente porque tem muita vaga remota em UX Design.

No meu caso, demorei algumas semanas para me sentir à vontade com esse modelo.

Para ajudar, eu estabeleci algumas regras de trabalho aqui em casa, como não trabalhar de pijama e separei meu escritório do da minha esposa. Então, isso acaba ajudando.

Você sente falta do escritório físico?

Eu prefiro trabalhar em casa, gosto desse modelo. Mas muito pelo fato de não ter que perder 1h30 no trânsito.

Existem situações que eu acho mais fácil fazer presencialmente. Às vezes precisamos conversar com alguém e estando no escritório as coisas ficam mais fáceis.

Mas ficar em casa tem seu lado bom. Poder dormir um pouco mais, parar para fazer o almoço.

Eu tento equilibrar a minha rotina dessa forma.

Dica de Leitura: Trabalho Remoto – Quais as Perspectivas Durante e Pós-Pandemia?

E como está sendo trabalhar com UX Design?

No começo eu sofri daquilo que chamam de síndrome do impostor.

Eu estava com dúvidas e pensava: será que eu não entrei nessa área muito rápido? Será que eu tenho a capacidade? Será que eu não estou me enganando?

Mas no final das contas, ter mudado de área foi muito satisfatório.

E eu acho que essa sensação — de incapacidade — deve ser bastante comum para muita gente e, para ser bem sincero, não sei se um dia deixaremos de sentir.

Seria muito fácil eu chegar aqui e falar que eu estava preparado, estudei e consegui.

Mas a realidade é outra. Há um choque!

Eu estou falando isso para quem estiver assistindo e passar por algo parecido entender que isso é normal. Tudo bem ter medo. A questão é não deixar o medo de paralisar.

Provavelmente você vai entrar em uma vaga mais júnior. Então, procura pessoas mais experientes para te ajudar. Se você está no MID, procura os mentores. Sempre tem alguém que pode te ajudar e estender a mão.

Ao mesmo tempo, precisamos lembrar: não dá para saber tudo de uma vez. Então, precisamos segurar a ansiedade e tentar relaxar.

Eu mesmo, estou entendendo e pegando uma coisa nova por vez.

Portfólio Tiago Lira

Como que você organizou os seus estudos?

Tem que criar uma rotina, não tem jeito.

E cada pessoa tem que criar uma rotina que se adeque ao seu perfil. Se você prefere estudar à noite, faça uma rotina mais noturna. Se prefere a parte da manhã, crie uma rotina de estudos diurna.

Eu sei que é difícil, porque ficamos focados no trabalho pelo menos 8 horas do dia, mesmo trabalhando de forma remota.

O que me ajudou a criar uma rotina foi sentar, desenhar e escrever o que eu tinha que fazer. Então, eu abria meu computador e minha programação já estava lá na minha frente; eu sabia o que tinha de fazer no dia e isso me ajudou muito.

Hoje, meus horários estão mais complicados, mas antes eu conseguia estudar cerca de 3h por dia. Atualmente, eu consigo cerca de 1h30 por dia, mais ou menos.

Para dar uma dica, eu acredito que se você coloca a sua rotina numa planilha e abre esse arquivo todo o dia, isso vai te dar um gatilho e vai fazer bem para você. É uma questão de disciplina, assim como cuidar da saúde.

Eu sei que muitas vezes há empecilhos. Você pode não morar numa cidade grande, sua internet pode ser ruim, você pode ter filhos; tudo isso interfere mesmo e não tem fórmula mágica.

O que posso dizer é que todo mundo pode encontrar o seu jeito de fazer as coisas. E principalmente nessa situação de migrar de área, é preciso se organizar e fazer alguns pequenos sacrifícios.

Qual está sendo seu maior desafio no trabalho como Product Designer?

Eu não tenho certeza se eu estou entregando as atividades com a velocidade que eu tinha antes de migrar para UX.

A empresa onde estou é muito organizada, utilizamos muitas ferramentas que nos ajudam no dia a dia.

Até agora não recebi nenhum feedback negativo nesse sentido, mas eu fico me perguntando se não estou demorando para chegar nas soluções.

Acho que isso está bastante relacionado com a síndrome do impostor.

Eu tenho que me controlar para não me deixar levar por esse pensamento porque isso pode prejudicar minha produtividade e no meu crescimento.

Dica de Leitura: 11 Medos Que Te Impedem de Migrar para UX Design

O que você diria para o Tiago do passado? Quando ele estava com dúvida de migrar para UX

Eu já pensei sobre isso e eu diria para o Tiago do passado começar esse movimento mais cedo. Nem que fossem 6 meses ou 1 ano antes.

Esse era o conselho que eu daria.

Mas no final das contas, eu entrei para o UX e não quero sair dessa área. Então preciso continuar estudando e me aperfeiçoando.

Ao mesmo tempo, é preciso tomar cuidado porque vivemos numa era de hiperinformação. Se eu for estudar tudo o que tem para estudar, eu vou me desanimar.

O que eu faço é assinas algumas newsletters, vejo o slack da comunidade dos alunos do MID, assisto as aulas, etc.

Eu sei que existem pessoas que não possuem nem um acesso à internet direito, e realmente é complicado dar dicas que englobem todo mundo.

Quando a gente fala de migrar para UX, não é para pensar somente na pessoa que vem da psicologia, do design ou da indústria. Precisamos pensar também nas condições de classe, gênero e raça, porque isso também é importante.

Eu sigo um perfil chamado @uxparaminaspretas que proporciona diversas dicas sobre carreira e discutem esses desafios sociais.

Se você se identifica com alguma dessas dificuldades, vale a pena conferir esse coletivo.

Portfólio Tiago Lira

Tiago, quer deixar algum recado final para quem está nos assistindo?

Siga os passos da Aela e do MID e tenha foco no passo a passo.

Mostre seu processo e linha de raciocínio nas entrevistas e isso faz toda a diferença.

Obrigado pelo seu tempo, Tiago e muito sucesso!

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