Humildade Para Conquistar a Primeira Vaga em UX Design — Entrevista Com Luiza Sequeira

Nesta entrevista, conversamos com a Luiza Sequeira, aluna do Bootcamp MID, que conta como foi seu processo de migrar do Design Gráfico e Industrial para UX Design e produtos digitais.

Luiza Sequeira é aluna do Bootcamp MID e conseguiu sua primeira oportunidade em UX Design para trabalhar em uma consultoria.

Ela conta como foi o seu processo de migração, as diferenças que sentiu entre o Design Gráfico e o UX Design e como tratou com humildade e transparência a sua transição de carreira em uma entrevista de emprego.

Confira a história de Luiza e inspire-se!

Luiza, pra gente começar, conta um pouco sobre você

Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer pela oportunidade de participar dessa entrevista. Quando eu estava migrando para UX Design, assisti a muitos videos com os alunos e é muito legal agora estar do outro lado.

Eu sou formada em Design Gráfico, mas atuei praticamente toda a minha carreira com design industrial. Dessa forma, trabalhei com desenvolvimento de produtos físicos durante 10 anos.

Já havia alcançado responsabilidades de gestão de pessoas e, na verdade, esse foi um dos fatores que abriram alguns leques de oportunidade para que eu decidisse mudar de carreira.

Portfólio Luiza Sequeira

Por que, então, você decidiu migrar para UX Design?

Fazendo uma reflexão, eu vejo que não existe um motivo específico que tenha despertado o meu interesse em UX Design, mas foram diversos pequenos fatores.

Acho que vou puxar um pouco o meu histórico para conseguir responder a essa pergunta.

Meu primeiro estágio foi na Tilibra, num ramo de papelaria. Eu desenhava capas de caderno e eu gostava bastante desse trabalho de produção e desenvolvimento de produto. Ao mesmo tempo, eu sempre fui uma pessoa muito comunicativa e que gostava de trabalhar em equipe.

No entanto, o trabalho Designer Gráfico é um pouco solitário, às vezes. Ficamos naquilo de colocar o fone, fazer o trabalho e ir embora. E isso me frustrava um pouco, mas com o tempo eu comecei a me acostumar com essa rotina.

Mais pra frente na minha carreira, eu tive a oportunidade de trabalhar mais perto das pessoas e dos times, me comunicando e suprindo esse lado do trabalho em equipe.

Acabei tendo resultados muito bons e reconhecidos com as minhas responsabilidades com gestão de equipes e fiquei pensando como que eu poderia juntar essas duas partes: equipes com design.

Chegou um momento onde eu parei para pensar sobre qual seria o próximo passo a ser dado em minha carreira. Sentei e escrevi tudo o que eu gostava de fazer. Nessa época, eu já sabia que eu gostava da parte de estratégia, de visão de negócios, mas ao mesmo tempo também gostava de ilustrar.

Quando eu estava nessa indecisão sobre o que fazer, uma amiga minha — a Laís — que já era aluna do MID na época, conversou comigo sobre o foco que ela estava dando nos estudos de UX Design e que talvez essa área fosse interessante para mim.

Ela acabou me indicando o MID e os diversos conteúdos da Aela.

Quando eu comecei a ver os videos, as entrevistas e o material sobre UX Design, eu comecei a ver uma possibilidade nessa área.

Até então, eu tinha uma visão bem equivocada sobre UX. Eu acreditava que tudo se tratava apenas de telas bonitas, Illustrator e Photoshop, por isso nunca achei que fosse me interessar pela área. Mas conforme fui conhecendo melhor, percebi que UX não tem nada a ver com isso e que é algo muito mais profundo!

Dica de Leitura: UX Design — O Que é e Como Atuar na Área?

Quais as semelhanças e diferenças entre o mundo do produto físico e o mundo do produto digital?

Uma coisa que foi muito difícil de aprender foram os jargões em UX Design!

Existem muitos processos e metodologias parecidas nos produtos físicos e nos produtos digitais, mas que possuem nomenclaturas completamente diferentes! Eu até costumava brincar com as pessoas, dizendo "eu sei do que você estão falando, mas eu aprendi isso com a linguagem das ruas!"

Falando mais especificamente sobre processos, no design industrial a gente utilizava metodologias do digital, mas não existia tanto controle o conhecimento profundo sobre eles. Nesse sentido, muitos processos acabavam falhando porque não havia esse entendimento aprimorado.

Com relação à parte de pesquisas, estratégias e entendimento do usuário, não tive grandes problemas. As conversas que tive me ajudaram bastante e me adaptei rápido. O único assunto mais difícil para mim foi arquitetura, porque eu não tinha tanto conhecimento sobre o assunto.

Existem diversas semelhanças entre o design gráfico e o UX Design, mas o gráfico possui diversos vícios que devemos evitar levar para o digital. Principalmente quando o assunto é estética, há uma preocupação exagerada no Design Gráfico, sem pensar nas funcionalidades e no sistema como um todo. Esse foi um vício que tive que aprender a deixar de lado.

Portfólio Luiza Sequeira

Como que foi o seu processo de estudos em UX Design?

A partir do momento em que eu decidi estudar UX Design e mudar de carreira, eu já comecei a guardar dinheiro porque eu sabia que em algum momento eu precisaria me dedicar somente aos estudos.

Mas enquanto isso eu não fiquei parada. Eu me inscrevi no MID e comecei a estudar os primeiros módulos em paralelo ao trabalho. Além disso, consumia outros conteúdos como vídeos, artigos e livros, comprei e li muitos livros sobre UX Design!

Fiquei nessa rotina, dividindo atenção entre emprego e estudo, durante 10 meses.

Até que chegou o momento de sair do trabalho para me dedicar inteiramente aos estudos.

Fiquei cerca de 3 meses só estudando e acabei me aplicando e conseguindo uma vaga em UX Design! Foi até que bem rápido!

Dica de Leitura: 4 Ofertas em Product Design, em 9 meses — Entrevista com Thiago Alvarenga

Como que foi o processo seletivo para essa vaga?

Começou com uma entrevista e me perguntaram sobre meu background, as experiências que já tive, enfim, para saber mais sobre mim.

Depois dessa primeira parte, eu fiz um teste — Design Challenge. Nesse teste, eu senti que os aprendizados do MID foram cruciais para o meu sucesso.

Eu não coloquei apenas as telas finais do projeto, mas eu montei todo um case com o meu raciocínio e o processo que me levou ao resultado. Na verdade, o protótipo final nem chegou a ficar tão bom, porque eu não tinha tanta habilidade com o Figma. Mas fiz questão de montar todo o meu pensamento e deixar esse processo bem estruturado.

No final, gostaram bastante do meu teste e cerca de dois dias depois, recebi uma proposta!

Um ponto muito interessante de comentar é que durante todo o processo eu deixei bem claro qual era o meu momento profissional.

Eu compartilhei que estava migrando de carreira e que estava iniciando os conhecimentos em UX Design. Por isso, eu não possuía muita habilidade técnica, mas pelo fato de estar iniciando, eu tinha muita vontade de aprender e estava aberta para absorver tudo o que me fosse ensinado.

Foi muito legal ter essa humildade e transparência durante a entrevista, porque você mostra para a empresa qual o ponto da jornada você está e se coloca à disposição para aprender e contar com a ajuda da empresa para se consolidar na área.

Eu acredito que essa minha atitude contribuiu bastante para que eu conseguisse a vaga nessa empresa. E, de verdade, aconselho a todos que se permitam ser humildes e mostrar essa vulnerabilidade de estar iniciando na carreira.

Portfólio Luiza Sequeira

Como que está sendo atuar com UX Design nessa empresa?

A empresa na qual trabalho hoje é uma consultoria e eu encarei essa oportunidade, desde o início, como sendo um segundo bootcamp, onde eu aprendo muito e com bastante velocidade.

Como é normal em consultorias, eu acabo participando de diversos projetos e isso me ajuda a construir bagagem e a ganhar experiência.

Mas no começo me deu medo! Porque a gente acaba achando que não vai ter tempo de fazer as atividades. Os prazos são diferentes de quando você é designer dentro de uma empresa.

No entanto, participar de diversos projetos tem sido bastante legal. Existem alguns projetos mais desafiadores e outros mais simples. Então todo esse equilíbrio acaba deixando tudo mais interessante e legal!

Eu estou gostando muito de trabalhar em consultoria porque cada projeto demanda foco em determinada parte do processo. E eu me sinto desafiada com isso!

Tem projetos que eu preciso dar foco maior na pesquisa, outros em UI, outros em mobile. Essa variedade tem me proporcionado muito aprendizado em uma velocidade bastante interessante.

Além disso, está sendo importante para eu entender qual parte do processo eu me identifico mais, se com a parte de descoberta, ou com a parte de UI, por exemplo. A consultoria me permite testar esses meus gostos e desejos de uma forma melhor.

Dica de Leitura: UX Design — Quais as Possibilidades de Atuação?

O que você diria para a Luiza do passado?

Eu acho que diria para ela ter paciência. Dar tempo ao tempo.

Existem coisas muito densas que não vamos conseguir dominar 100%. Nós podemos chegar em um ponto confortável sobre um assunto, mas sempre haverá algo novo se quisermos nos aprofundar.

Acho que devemos manter uma mentalidade de iniciante, e estar sempre dispostos a aprender. Porque as coisas mudam muito rápido e sempre existe algo novo para conhecermos. Portanto, a gente precisa ter essa humildade para entender que nunca vamos saber tudo.

Além disso, eu diria para ela que tudo é uma questão de processo e que começar algo novo não quer dizer desistir ou abandonar o que você já fez.

Quando eu decidi migrar de carreira, não desaprendi o meu background. Tudo foi uma questão de escolher novos caminhos a seguir. Por isso, acredito que ter calma é muito importante.

Nesse sentido, os livros sempre me foram de grande ajuda. Eles sempre me lembravam que UX Design não era Web Design, nem telas bonitas. Ao lembrar disso, eu me sentia tranquila com relação ao caminho que eu havia escolhido.

Portfólio Luiza Sequeira

Se você tivesse que escolher um livro, qual seria?

Eu gostei muito de um livro que fala sobre design de serviços chamado Good Services.

Esse livro abriu a minha mente!

Outro livro legal é um chamado This Human. Este livro fala sobre como nós devemos ser enquanto designers. É como se fosse uma auto análise sobre o UX Design e traz um posicionamento interessante sobre a profissão. É bem legal.

Você tem alguma dica adicional para quem deseja migrar para UX Design?

Uma dica que eu dou é para entrar em contato com quem já está no mercado. Converse, troque ideias, experiências. Isso é muito importante.

Outra dica, assim como comentei que aconteceu na minha entrevista, mostre humildade. Entenda e mostre quais são os seus gaps que você precisa preencher.

Aproveite o material que existe disponível, converse, ouça e pense positivo porque uma hora as coisas dão certo. Estude bastante e tenha dedicação!

Dica de Leitura: 11 Medos Que Te Impedem de Migrar para UX Design

Se você gostou desse conteúdo não se esqueça de clicar em curtir e compartilhar! Esse pequeno gesto ajuda bastante no nosso trabalho! Fique à vontade para continuar navegando aqui e, caso queira receber nossos conteúdos por email, inscreva-se na nossa newsletter!

Gostou do nosso conteúdo?
Inscreva-se em nosso canal no YouTube e fique por dentro do mundo do UX
Compartilhe
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram

Cursos

Temos orgulho de ter todo mês novos alunos contratados em países como Brasil, Irlanda, Portugal, Áustria, Nova Zelândia e Canadá.