4 Ofertas em Product Design, em 9 meses — Entrevista com Thiago Alvarenga

Nesta entrevista, conversamos com o aluno do MID Thiago Alvarenga. Ele nos conta como foi o seu processo de migração para UX Design, rotina de estudos, trabalho remoto e muito mais. Confira!

Dando sequência às entrevistas com nossos alunos do MID, conversaremos hoje com o Thiago Alvarenga.

Ele nos contou como foi o processo de migração de Diretor de Arte para Product Designer, como estabeleceu um hábito de estudos, o processo seletivo para seu cargo atual e como a paciência foi crucial para sua evolução.

Thiago, conta um pouco sobre seu histórico profissional

Eu sou de Campinas, uma cidade do interior de São Paulo, e sou formado em Publicidade e Propaganda por uma Universidade aqui da região.

Apesar da minha formação, eu nunca fui publicitário. Desde o começo da minha carreira eu trabalhei com design.

Meu primeiro trabalho foi em uma pequena agência de Design Gráfico e eu fazia basicamente projetos para cardápios, folders e etc.

Mas com o passar do tempo, a agência foi evoluindo e acabou entrando cada vez mais no digital. Nisso, eu continuei um período ainda como designer gráfico, mas logo mudei para a área de Webdesign.

Com essa mudança, eu acabei aprendendo bastante sobre WordPress e nesse momento, acreditei que esse fosse o caminho que eu gostaria de seguir.

No entanto, nessa mesma época — isso foi em 2015 — você, Felipe, lançou o curso Photoshop Zero to Hero. Eu me interessei e acabei fazendo este que foi meu primeiro curso da ferramenta.

Foi a partir desse curso que a minha parte técnica começou a se aprimorar e, com o passar do tempo, acabei me tornando Diretor de Arte da agência, produzindo landing pages e campanhas publicitárias.

Quando e como foi o seu primeiro contato com UX/UI Design?

Como comentei, a agência que trabalhava estava evoluindo e se tornando cada vez mais digital.

Nesse sentido, em um determinado momento, nós descobrimos o UI Design e decidimos que deveríamos investir nisso.

Contudo, a verdade é que a gente entendia nada sobre o assunto, mas queríamos implementar esse conceito.

Nessa época, eu já tinha mais intimidade com o dono da agência e conseguimos criar uma área de UX/ UI Design, sendo eu o responsável por ela.

Quando pegamos o primeiro projeto de UI, fizemos toda a interface e… ficou horrível!

Nós não entendíamos nada de usabilidade e focamos somente na estética da interface do projeto.

Dessa forma, criamos uma interface muito bonita, mas cuja usabilidade era praticamente zero!

Foi nesse momento em que tive meu primeiro contato com interfaces e descobri que precisava entender mais do assunto!

Estudo de Personas | Portfólio Thiago Alvarenga

Dica de leitura: Como Aproveitar Seu Background E Migrar Para UX Design?

Foi a partir disso que você descobriu que UX Design era o caminho? Ou teve outro momento?

Na verdade, não!

Quando eu terminei a faculdade, eu tinha o pensamento de sair do Brasil e morar na Europa. Era um desejo bem forte que eu tinha.

Dessa forma, eu comecei a trabalhar e juntar dinheiro para conseguir viajar.

Eu trabalhei cerca de um ano para conseguir me manter durante uns 3 meses na Europa. A minha intenção era conseguir um trabalho enquanto estivesse por lá.

No final de 2018, consegui embarcar para a Europa, fiz um mochilão e depois parti para Dublin, na Irlanda, onde moram uns amigos meus.

Nesse tempo que fiquei em Dublin, eu consegui um freela para uma agência de lá. A vaga era especialmente para UI Design e eu trabalhava com uma pessoa que se tornou uma mentora pra mim. Ela me orientava em termos de usabilidade e experiência. Foi uma oportunidade bem bacana, achei muito legal!

Infelizmente, meu visto venceu e eu tive que voltar para o Brasil.

Ao retornar, decidi que eu deveria estudar mais e me especializar. Mas eu não sabia ao certo por onde começar. Eu me sentia perdido. Apesar de ter trabalhado com UI Design na Irlanda, não estava decidido se aquele era meu caminho.

Nessa época, então, aconteceram duas coisas cruciais: eu comecei a acompanhar a Aela e eu tive a síndrome de Burnout.

Foi por causa dessa síndrome que descobri que eu detestava ser Diretor de Arte e que não fazia sentido estar em um trabalho que não agregava valor no produto. No final do dia, me sentia apenas uma máquina, fazendo aquilo que me mandavam fazer.

Adicionalmente, foi por causa da Aela e do MID que eu tive o estalo em que percebi que era o caminho do UX/UI Design que eu gostaria de seguir.

Legal! E quando foi que você entrou no MID? Você fez outros cursos?

Eu me matriculei no MID no começo de 2019.

Sim, eu cheguei a fazer um curso da IDF — Interaction Design Foundation — alguns cursos da Udemy e o MID. Tudo ao mesmo tempo!

Nessa época de estudos, o que você sentiu que foi um diferencial que fizesse você se interessar mais por UX/ UI Design?

O grande diferencial que me fez entrar de cabeça nos estudos em UX/ UI foi sentir que eu não entendia absolutamente coisa alguma sobre seres humanos! (risos)

Eu trabalhei durante muito tempo apenas atendendo as solicitações dos stakeholders. O meu cérebro estava condicionado dessa forma, eles pediam, eu atendia.

Mas isso não quer dizer que eu sabia o que o usuário queria e precisava de verdade!

Nesse processo todo, eu me dei conta de que eu olhei para a pessoa errada durante muito tempo.

Foi essa mudança de mindset que foi crucial para que eu me interessasse ainda mais por UX Design.

Redesign Wikipedia | Porftfólio Thiago Alvarenga

Dica de Leitura: 11 Medos Que Te Impedem de Migrar Para UX Design?

Como era a sua rotina de estudos?

Quando eu comecei os cursos, eu determinei que estudaria todos os dias durante 1h30.

Como eu estava matriculado em diversos cursos, eu estabeleci que, do meu tempo total de estudos, me dedicaria 1h para o MID e 30 minutos para os demais.

Além disso, eu tentei não me pressionar e não ficar até a madrugada estudando. Eu sentia que isso me sobrecarregaria e acabaria prejudicando meus estudos, ao invés de me ajudar.

No final, acabei me acostumando e hoje essa rotina é um hábito. Eu estudo todos os dias.

Demorou para essa rotina virar um hábito?

Demorou um pouco sim.

Eu passei mais de 1 mês me forçando muito a estudar.

Na época, eu chegava em casa do trabalho e eu não queria sentar para estudar. Mas eu acabava me forçando para isso.

O que ajudava a minha motivação era sempre lembrar de que eu estava trabalhando em uma área que eu não gostava. Dessa forma, eu sempre pensava:

"Eu preciso estudar para mudar!"

Além disso, eu utilizei bastante a metodologia Pomodoro para ajudar na minha produtividade e o Trello para organizar meus estudos.

Protótipos | Portfólio Thiago Alvarenga

E depois de começar o MID, quanto tempo levou para surgir uma oportunidade em UX Design?

Foi bastante rápido!

Depois de uns 3 meses de estudos, eu consegui uma oportunidade numa startup aqui de Campinas.

Na verdade, ainda nesse começo eu estava bastante confuso. Eu não sabia se eu queria seguir em UX Design, UI Design ou Product Design.

Mas logo percebi que o meu caminho era para ser Product Designer. Trabalhar com produto é o que eu gosto de fazer.

Nesse sentido, e para isso, continuei meus estudos durante mais 9 meses e até acabei refazendo alguns exercícios do MID que ajudaram a me aprimorar e evoluir mais ainda.

Dica de Leitura: 10 Passos Para Iniciar A Migração Para UX Design

Teve algum momento em que você se sentiu pronto para aplicar para vagas? Você olhava bastante o LinkedIn?

Eu sempre estive de olho no mercado e sempre olhei o LinkedIn.

No entanto, eu usava o LinkedIn como um objeto de estudos, em um primeiro momento. Eu aprendia sobre as funcionalidades, os recursos e como os recrutadores utilizavam essa ferramenta.

Eu não aplicava para nenhuma vaga porque eu sentia que não estava preparado ainda.

No entanto, eu comecei a mudar meu pensamento sobre isso quando eu fiz o trabalho do nível Zero do MID e quando fiz um projeto para o time de futebol americano do qual eu fazia parte, aqui da cidade de Campinas.

Estudo para Aplicativo | Portfólio Thiago Alvarenga

Mas não foi por conta das minhas supostas habilidades e conhecimento. Foi por conta de uma mudança de visão com relação aos feedbacks.

Ao apresentar os trabalhos, eu recebi diversos feedbacks, alguns bons e outros para melhorar o projeto. E eu entendi que os feedbacks não são críticas, mas são para eu conseguir evoluir e aprimorar meus conhecimentos.

Com isso, eu senti que superei um dos grandes problemas dos Diretores de Arte, a crítica.

Foi nesse momento que eu me senti pronto para me aplicar para oportunidades em UX Design e, inclusive, foi quando consegui a vaga na startup que comentei.

Hoje você já está em outra empresa, certo? Como foi o processo seletivo para essa oportunidade?

Sim. Hoje eu estou trabalhando na CI&T, uma empresa multinacional com operações no Brasil, EUA, Europa e Japão.

O processo seletivo foi bem legal porque eles utilizaram uma metodologia própria. Na entrevista, eles querem te conhecer e fazem questão de que você os conheça também. Achei interessante porque muitas vezes as empresas não dão essa visão sobre elas mesmas durante uma entrevista.

Após a entrevista, eu fiz um case específico para Product Designers.

Nesse case, eu me dediquei bastante na parte de pesquisa. Dos 5 dias que eu tive para realizar o exercício, 3 deles eu estive com foco em pesquisas.

Quando apresentei o case, eles gostaram bastante!

Eu sempre achei que design e acessibilidade são coisas que devem andar juntas, e eu fiz questão de colocar esses conceitos no meu projeto.

A CI&T é uma empresa bem inclusiva, portanto, acredito que tenha sido por isso que gostaram tanto do meu projeto.

No entanto, os feedbacks foram tanto positivos quanto para melhoria. Outro ponto que eu achei bastante legal de todo o processo.

Não importa se eu iria conseguir a vaga ou não, os feedbacks dados foram bastante profundos. Ou seja, mesmo se eu não fosse o cara para a vaga, eles estavam ajudando a melhorar meus conhecimentos. E isso eu achei muito legal!

Depois de umas duas semanas da apresentação do case, eles me convidaram para fazer parte da equipe!

Jornada do Usuário | Portfólio Thiago Alvarenga

Dica de Leitura: Quais as Possibilidades de Atuação em UX Design?

Você entrou na empresa um pouco antes da pandemia. Quais são os desafios de se trabalhar remotamente com Product Design?

Verdade! Eu entrei na CI&T em um momento bastante delicado.

As duas primeiras semanas eu fiquei dentro do cliente e em seguida já estourou a quarentena e a pandemia. Por conta disso, tivemos que começar a trabalhar remotamente.

Mas eu vou confessar uma coisa. Não senti diferença alguma com essa mudança de modalidade de trabalho, fora o fato de estar em casa mesmo.

O time de design da empresa é muito maduro. Somos em 4 designers, cada um com seu time de desenvolvedores e PO's. Todos os processos de design são muito bem estruturados também.

Além disso, nós temos bastante transparência com os outros times e a comunicação também é um grande diferencial.

Acredito que seja por conta do acompanhamento de carreira que temos na empresa. Essa iniciativa faz com que saibamos nos expressar melhor, tanto com os clientes quanto com os nossos pares.

Protótipo para Aplicativo | Portfólio Thiago Alvarenga

Você já trabalhou remoto antes? Ou essa é a primeira vez?

Eu já trabalhei remoto enquanto estava na Irlanda. Antes de conseguir o freela que comentei, eu continuei trabalhando para a agência aqui do Brasil.

Mas a dinâmica era bem diferente. Essa agência era bem menor e a gente conseguia trocar informações com mais tranquilidade e facilidade.

Na CI&T é diferente. A empresa é bem maior e eu tenho interação com muito mais pessoas: designers, desenvolvedores, analytics, clientes.

Então, mesmo já tendo trabalhado remotamente, tive que me adaptar para outros processos.

Dica de Leitura: Trabalho Remoto Durante e no Pós-Pandemia

Qual foi seu maior aprendizado nesse período de migração para Product Design?

Com certeza, um dos meus aprendizados foi não desistir!

Mas o grande aprendizado de todos foi: ser paciente.

Muitas pessoas nesse processo de migração ficam ansiosas. Elas querem aprender tudo da noite para o dia e conseguir uma oportunidade de emprego na semana seguinte.

Eu tive que desenvolver a minha paciência e entender que esse processo é demorado. Não é possível adquirir experiência e conhecimento assim de uma hora para outra.

Eu lembro que antes de entrar na CI&T o Rodrigo Lemos, colocou um vídeo sobre paciência, no canal do Youtube.

Foi a partir desse vídeo que caiu a minha ficha: eu preciso ter paciência.

É claro que muitas pessoas vão conseguir um emprego rápido. Vão estudar pouco, montar um portfólio mais ou menos e aplicar para várias vagas.

Mas o trabalho que as pessoas menos preparadas vão conseguir, serão iguais ao que eu tinha antes de começar a minha jornada. Muito provavelmente será numa empresa pouco estruturada, que não tem processos de design bem definidos e que vão fazer de você apenas uma máquina. Vão simplesmente solicitar e você vai ter que entregar.

Portanto, minha grande dica é tenha paciência, mas também corram atrás para conquistar as suas metas e objetivos.

Processo de Pesquisa e Personas | Portfólio Thiago Alvarenga

Pequena atualização

A entrevista acima foi concedida em meados de 2020. Pouco depois, Thiago recebeu uma nova proposta e partiu para um novo desafio profissional como Product Designer na C6 Bank. Sucesso nessa nova fase, Thiago!

Se você gostou desse conteúdo não se esqueça de clicar em curtir e compartilhar! Esse pequeno gesto ajuda bastante no nosso trabalho! Fique à vontade para continuar navegando aqui e, caso queira receber nossos conteúdos por email, inscreva-se na nossa newsletter!

Gostou do nosso conteúdo?
Inscreva-se em nosso canal no YouTube e fique por dentro do mundo do UX
Compartilhe
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram

Cursos

Temos orgulho de ter todo mês novos alunos contratados em países como Brasil, Irlanda, Portugal, Áustria, Nova Zelândia e Canadá.
Faça parte da comunidade Aela no Telegram!
Receba nossos conteúdos e notícias em primeira mão