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Tree Testing: As Informações da Interface Estão Sendo Encontradas?
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Tree Testing: As Informações da Interface Estão Sendo Encontradas?

Tree Testing: How Easily Can Users Find The Information They Need? cover

Será que as pessoas estão conseguindo localizar com facilidade as informações na interface do seu produto? Para responder essa pergunta você pode utilizar uma técnica chamada Tree Testing.

Neste artigo, explicaremos como você pode aplicar esse teste para validar a Arquitetura da Informação de uma interface.

O que é Tree Testing?

Tree Testing (teste em árvore) é uma técnica de UX Research que avalia a estrutura e hierarquia da navegação de uma interface.

Ou seja, utilizamos esse método quando queremos saber se as informações da interface estão bem categorizadas e se são facilmente encontradas pelas pessoas usuárias. Nesse sentido, encontramos respostas para perguntas do tipo:

  • Será que os títulos e categorias da interface estão fazendo sentido?
  • O conteúdo está agrupado corretamente e de forma lógica?
  • As pessoas têm dificuldade em realizar tarefas ou encontrar informações?

O Tree Testing é utilizado nos processo de Arquitetura da Informação juntamente com outras técnicas, como o Card Sorting. Mas tenha cuidado, apesar de similares, essas duas técnicas são bem diferentes.

Dica de Leitura: Arquitetura Da Informação – Planejando O Conteúdo Da Sua Interface

A diferença entre Tree Testing e Card Sorting

A diferença entre Tree Testing e Card Sorting

Apesar dessas duas técnicas serem utilizadas para ajudar na categorização das informações da interface, elas funcionam de formas diferente.

No Card Sorting, os participantes ficam diante de diversos itens e devem categorizá-los da forma com que acreditam fazer mais sentido. Existem variações dessa ferramenta, mas de maneira geral é assim que acontece.

Já no Tree Testing, a categorização já está feita. O teste gira em torno de como as pessoas encontram e buscam informações dentro da hierarquia que já existe ou então para validar os resultados obtidos com o próprio Card Sorting — e por esse motivo é também conhecido como Reverse Card Sorting.

Portanto, o Tree Testing avalia a construção das informações da interface, baseado em tarefas que as pessoas realizariam na vida real. Nesse sentido, é muito parecido com outros testes de usabilidade.

Quando usar o Tree Testing?

Já que o objetivo dessa técnica é validar a construção e categorização das informações da interface, é possível usá-la em diversos momentos do processo de design.

Você pode usar o Tree Testing bem no começo do seu projeto, na fase inicial de pesquisa, de um produto que ainda nem existe. Ou, você pode utilizar para melhorar algum recurso ou indicador de um site ou aplicativo que já está sendo usado.

Também não há limitações de estrutura para usar esse tipo de teste. Seja uma hierarquia com 50 categorias ou uma com 5. Você pode fazer vários pequenos testes, ou um teste único que engloba toda a hierarquia da interface.

Ou seja, o Tree Testing pode ser utilizado sempre quando é preciso investigar a eficiência da Arquitetura da Informação de uma interface, independente do momento de projeto ou do tamanho da estrutura.

Vantagens e Desvantagens do Tree Testing

Assim como qualquer método ou ferramenta, o Tree Testing possui vantagens e desvantagens e é importante conhecê-las para poder tirar o maior proveito desse tipo de teste.

Vantagens

As vantagens do Tree Testing giram em torno da sua facilidade e da possibilidade de poder ser executado em qualquer momento.

Como não há dependência da criação de outros elementos de interação — botões, cores, animações —, o teste em árvore acaba sendo uma opção fácil e rápida de executar.

Por conta dessa facilidade e rapidez, é possível executar diversos testes para avaliar versões diferentes da Arquitetura da Informação da interface. Dessa forma, designers e pesquisadores conseguem identificar com mais precisão qual configuração de estrutura que melhor atende as pessoas usuárias.

Além disso, outras vantagens do teste são:

  • possibilidade efetuar de forma remota;
  • sessões curtas;
  • existência de softwares especializados;
  • a análise de resultados é, de maneira geral, direta e rápida.

Desvantagens

Uma das vantagens do Tree Testing acaba sendo também uma de suas desvantagens.

O fato do teste em árvore não precisar de outros elementos de design e interação para acontecer, faz com que ele seja muito específico. Ou seja, a avaliação é somente sobre a estrutura da informação da interface.

Nesse sentido, uma avaliação de usabilidade de uma interface não deve levar em consideração somente o Tree Testing. É importante complementar com outros tipos de teste de usabilidade.

Outra desvantagem do teste em árvore é a falta de dados qualitativos. Devido ao fato de geralmente ser feito de modo remoto e não moderado, é difícil desvendar os motivos que fizeram as pessoas a tomarem aquelas decisões específicas durante o teste. Dessa forma, fica mais difícil entender certos comportamentos somente pelo Tree Testing.

Além disso, um ponto importante para ser apontado é que as interações reais das pessoas usuárias levam em consideração todos os elementos da interface. Ou seja, as pessoas executam com mais facilidade as tarefas em uma interface finalizada porque há contexto, dicas e outros elementos que facilitam a usabilidade.

É importante levar isso em consideração porque, dessa forma, o Tree Testing pode gerar resultados muito aquém dos esperados. Mas isso não necessariamente quer dizer que a interface esteja ruim. Segundo a User Interviews, uma taxa de sucesso no Tree Testing em torno de 60% pode ser comparado a uma taxa de sucesso de 90% em uma interface finalizada.

Dica de Leitura: Teste De Usabilidade – Como Preparar e Conduzir?

Passo a Passo

Passo a passo do teste em árvore

O Tree Testing não é uma técnica complicada de aplicar, mas é importante tomar cuidado para não deixar passar etapas cruciais no processo.

Nesse sentido, podemos descrever os seguintes passos para efetuar um teste em árvore:

  1. Definir objetivos;
  2. Escolher ferramentas e métodos;
  3. Construir a árvore (tree) e escrever as tarefas;
  4. Recrutar participantes e executar o teste;
  5. Analisar resultados.

1) Definir objetivos

Essa é etapa é básica para qualquer tipo de teste que você executar.

Entenda quais são os objetivos do teste. O que você quer melhorar, verificar, validar ou avaliar?

No caso do Tree Testing, o teste é para verificar toda a estrutura e Arquitetura da Informação da interface, ou apenas uma parte dela?

Se o projeto for de redesign, quais são os indicadores que devem ser melhorados e como que o Tree Testing pode ajudar?

Sentar e escrever os objetivos do teste vai ajudar no momento de preparar as tarefas e de analisar os resultados.

2) Escolher ferramentas e métodos

Você pode utilizar protótipos de papel — o algum outro protótipo físico — para executar o Tree Testing. No entanto, se optar por um software especializado como o UserZoom ou Treejack, você vai ganhar muito mais tempo.

Além disso, os softwares garantem a possibilidade de efetuar o teste remotamente, o que também é uma vantagem e elimina qualquer restrição geográfica que houver.

Portanto, nessa etapa, pense e defina qual a melhor ferramenta que se adequa às suas necessidades e se o teste será feito presencial ou remotamente.

3) Construir a árvore e escrever as tarefas

Construir a árvore é bem simples, na verdade. Você pode desenhá-la numa planilha e depois importá-la para dentro de algum software especializado.

O importante é ter discriminado quais são as categorias e qual é o nível de cada label que compõe a árvore. Observe o exemplo abaixo, retirado de um artigo da NNg:

Exemplo de tree testing da NN/g
Exemplo de Tree Testing | Fonte: NNg

Cada linha corresponde a uma categoria que, por sua vez, está dentro de uma categoria-pai, indicada pelas colunas. Perceba que a árvore é bastante parecida com um mapa de site, feita apenas com textos.

Desenhe a árvore exatamente como na interface real, é importante proporcionar todos os detalhes de categorias e seus sub-níveis para os participantes do teste.

É uma boa prática não contemplar as áreas da interface que correspondem ao Contato e Search. Primeiro porque no Tree Testing essas duas categorias ficam sem função, elas funcionam na versão real da interface; segundo porque é importante retirar qualquer possibilidade dos participantes do teste de não efetuar as tarefas propostas.

Um campo de Search pode induzir as pessoas a ter respostas ao teste como: “Essa tarefa eu procuraria pelo Search da interface”, e esse não é o objetivo do teste.

Como escrever as tarefas do Tree Testing?

Depois de construir a árvore de informações, é hora de escrever as tarefas que serão aplicadas aos participantes.

Escrever as tarefas do teste é uma etapa muito importante e deve ser feita com muita cautela. Boas tarefas resultam em bons dados para tomada de decisão.

Leve em consideração os seguintes pontos:

O que testar: escreva tarefas baseadas no objetivo do teste. O que precisa ser analisado? Uma parte específica da arquitetura ou a estrutura como um todo? Uma parte da jornada da pessoa usuária?

Defina uma resposta certa para cada tarefa: cada tarefa deve ter uma resposta certa para que seja possível verificar seus percentuais de acerto ou erros.

Caso a interface seja muito grande, pode existir a possibilidade de vários caminhos levarem a mesma resposta. Nesses casos, é importante ter mapeado todos esses possíveis caminhos para que a análise dos resultados seja feita com maior assertividade.

As tarefas devem ilustrar cenários hipotéticos: ao invés de dizer ao participante exatamente o que ele deve fazer, ilustre a tarefa com um cenário hipotético.

Por exemplo: Você está planejando viajar de férias durante 20 dias no final do ano. Encontre o melhor destino para seu interesse e compre as passagens.

Um mau exemplo de tarefa seria: Clique em ‘destinos’ e selecione um lugar.

Use uma linguagem diferente/ evite “priming”: tome cuidado ao escrever as tarefas do Tree Testing para não dar dicas para aos participantes sobre as respostas.

Se a interface possui um link para “Formulário de Reembolso”, por exemplo, evite tarefas como: “Encontre o Formulário de Reembolso”.

Esse tipo de escrita dá dicas para os participantes e disfarça os resultados do teste.

Defina um máximo de 10 tarefas: não é recomendado que o teste dure mais do que 15-20 minutos e que tenha mais do que 10 tarefas.

Portanto, entenda quais as partes da estrutura que você vai analisar e distribua as tarefas de acordo essa hierarquia.

4) Recrutar participantes e executar o teste

Saber quem convidar para participar do teste é uma etapa fundamental. Procure pessoas que se encaixem no perfil de clientes da sua interface. Utilize suas definições de público-alvo e persona para facilitar esse processo.

Se você já possui uma base de clientes estabelecida, convide pessoas dessa base. Envie um email e explique os motivos do convite e do teste.

Um número ideal de participantes gira em torno de 50 pessoas, segundo a NNg. Essa quantidade é suficiente para gerar dados e análises robustas para tomadas de decisão.

Com a árvore, as tarefas e os participantes definidos, o próximo passo é efetuar o teste em si. No entanto, é uma boa prática rodar um teste piloto com a sua equipe de design para verificar possíveis inconsistências ou erros.

5) Analisar os resultados

Como geralmente o Tree Testing é aplicado de forma remota e sem moderação, os resultados são analisados de forma quantitativa.

Nesse sentido, os indicadores mais comumente analisados são:

  • quantos participantes acertaram determinada tarefa;
  • quanto tempo levou para que os participantes completassem as tarefas;
  • qual o caminho que o participante fez para completar a tarefa;
  • quais tarefas tiveram mais respostas erradas ou incompletas.

Você deve alinhar as análises com os objetivos do teste para entender se a estrutura e hierarquia da interface estão eficientes ou não para as pessoas usuárias.

Dica de Leitura: Análise de Dados em UX Research

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