Como Utilizar o Double Diamond Na Prática?

Não existem fórmulas mágicas para que os Designers encontrem as melhores soluções para os problemas de seus usuários. Contudo, há caminhos que propõem a resolução de problemas de uma maneira mais assertiva. Um deles, é o Double Diamond. Confira nesse artigo como essa metodologia pode ser aplicada na prática em seus projetos!
Como Utilizar o Double Diamond Na Prática?

O Double Diamond é um processo de design criado em 2005, pelo British Design Council, instituição sem fins lucrativos do Reino Unido, que trabalha desenvolvendo programas e pesquisas que abrangem o design do setor público e a inovação social e nos negócios.

Na base do Design Council está o Double Diamond, que consiste em explorar um problema ou uma oportunidade de melhoria de forma mais ampla, para depois focar em ações direcionadas.

O Double Diamond, na prática, é uma metodologia de Design Thinking. Sendo um processo com a finalidade de entregar para o usuário uma possível solução que se encaixe à sua necessidade. Para isso, ela é desenvolvida em cima do levantamento das inúmeras hipóteses e problemas.

Dessa forma, essa metodologia ajuda, principalmente UX Designers, a encontrarem soluções criativas, duradouras e mais assertivas em seus projetos, sendo formada por quatro fases distintas: Descobrir, Definir, Desenvolver e Entregar.

Então, as duas primeiras fases- Descobrir e Definir, compõem o primeiro diamante e tem como objetivo principal uma pesquisa aprofundada baseada em um problema. As duas outras fases – Desenvolver e Entregar, são focadas em descobrir uma solução, tendo como base as pesquisas desenvolvidas.

Felipe Melo, mentor e fundador da Aela, explicou o que é o Double Diamond, suas fases e como aplicá-lo na prática, nesta palestra:

Antes de iniciar o Double Diamond

O cliente ou a empresa dificilmente chegará com um problema ou necessidade pronta e bem definida. Ou pode até ser que sim, mas será que esse é o real problema?

Dessa forma, o que for apresentado é um suposto problema. Por isso, a equipe deverá ouvir, separar e organizar todas essas informações, mas sem se apegar à ela inicialmente.

Portanto, afim de colher todas essas informações iniciais, é necessário uma preparação antes de iniciar as etapas do Duplo Diamante, com o objetivo de organizar as informações e direcionar melhor a equipe.

Esse preparo envolve dois momentos:

1) Construção do escopo do projeto

O escopo é uma espécie de mapa, feito a partir do que é exposto pelo cliente, com suas dores e necessidades relatadas.

É como se fosse um rascunho do planejamento do projeto, contendo:

  • o que poderá ser feito;
  • os envolvidos no projeto e suas tarefas;
  • prazos.

Dessa forma, o escopo serve para nortear o projeto e poderá (para não dizer com certeza) ser modificado no decorrer do seu desenvolvimento.

2) Kick-off

Kick-off é uma grande reunião ou workshop feito com cliente e toda equipe.

Nesse momento, acontece a exposição do projeto com exercícios e conversas sobre:

  • suposições propostas pelos clientes;
  • detalhamento dos objetivos;
  • construção de personas;
  • jornada do usuário;
  • Lean canvas, para definir melhor os objetivos;
  • mapeamento de riscos e de todos os stakeholders envolvidos;
  • entre outras atividades que variam em cada projeto.

Depois desses dois passos, é hora de começar a metodologia do Duplo Diamante.

Dica de Leitura: O que é Design Thinking e Como Aplicá-lo em Seus Projetos?

As fases do Double Diamond

1° Descobrir

O foco desta fase é a pesquisa aprofundada sobre o que foi levantado no escopo e kick-off, seja um problema ou uma oportunidade de melhoria. Utilize de todos os meios possíveis para realizar essa investigação.

Nessa primeira parte do diamante, o objetivo é investigar o problema que foi apresentado. Você verá que são vários os problemas que irão surgir. Aqui, o seu trabalho e da sua equipe consiste na exploração e criação de suposições.

O ponto de partida será o escopo e tudo que foi apresentado no kick-off.

2° Definir

Priorização e análise de viabilidade marcam esta fase.

Na fase da Definição, como o próprio nome já diz, é preciso definir, dentre todos os problemas que foram levantados, qual representa a maior dor do usuário e qual terá maior impacto em termos de negócio para empresa.

Outras hipóteses também podem ser levantadas para ajudar nessa definição de prioridades, que serão avaliadas com base na viabilidade e disponibilidade de recursos.

Dessa forma, muitas hipóteses são descartadas ou colocadas em stand by, para um outro momento, mantendo apenas o que foi priorizado.

Portanto, o primeiro diamante, formado por essas duas fases, é puramente pesquisa focada em um problema inicial. Aqui, investiga-se, até mesmo, se aquele cliente precisa realmente de uma solução baseada em tecnologia.

O primeiro diamante

Esse primeiro diamante tem o foco principal em trabalhar em cima das suposições e na busca pela melhor forma, método ou processo de pesquisa para investigar as necessidades dos usuários.

Aqui, ocorrem:

  • a priorização de insights e problemas;
  • a definição da jornada atual do usuário;
  • construção de personas;
  • entrevistas com usuários;
  • pesquisas de campo e secundária (desk research).

Dica de Leitura: Desk Research – O que é e como Efetuar uma Pesquisa Secundária?

3° Desenvolver

Agora, com o problema específico em mãos, é hora de explorar ideias de soluções para o problema selecionado — semelhante ao que aconteceu na primeira fase, do primeiro diamante.

Nesse sentido, essa fase é concluída quando encontram-se ideias que podem satisfazer aquele problema. Para isso, conte com a ajuda de um time multidisciplinar para ajudar a verificar aspectos técnicos da viabilidade das soluções.

4° Entregar

Chegamos à última fase do segundo diamante.

Junto com os programadores, é hora de começar a “desenvolver” a solução que foi escolhida por melhor atender à necessidade do problema para os usuários.

Dessa forma, protótipos de baixa fidelidade são desenvolvidos, com o objetivo de validar, de forma mais rápida, a viabilidade daquela solução.

Contudo, é muito importante reforçar que essa validação não é um teste de usabilidade e sim, uma prova de conceito. Aqui, a finalidade é reconhecer, se faz sentido ou não para o usuário, aquela solução.

Então, uma dica importante é: não se apegue! Nessa fase, vários protótipos podem ser descartados.

O segundo diamante

Enquanto o primeiro diamante tem foco na atual jornada do usuário e nas condições atuais do produto, o segundo diamante é voltado para a nova solução que foi desenvolvida, com a realização de experimentos e testes, para validação. Aqui, é construída a nova jornada do usuário e também existe o trabalho de priorização.

Podem ser utilizadas diversas metodologias nessa etapa, como Card Sorting, Design Critique, Design Studio, Lean Canvas e Lean Experiments.

Double Diamond finalizado, e agora?

Na verdade o Double Diamond não tem fim!

É sempre importante reforçar a ideia de continuidade e melhoria constante porque vários outros problemas ainda estão por vir.

Entretanto, logo após o fechamento do último diamante, é feito o inception. Aqui, todo o time se reúne novamente para compartilhar os aprendizados do projeto:

  • a solução desenvolvida;
  • as informações encontradas;
  • personas e a nova jornada do usuário.

Nessa fase é definido o Roadmap de desenvolvimento e evolução desse produto, além de também ser definidos os OKRs (Objetivos e Resultados Chaves).

Em seguida, é hora de melhorar a solução para se chegar no Mínimo Produto Viável- MVP. Para isso, o Double Diamond pode ser utilizado novamente, desde a primeira fase.

A combinação entre os dois diamantes, da descoberta à entrega, fará com que a evolução do MVP seja constante, tendo sempre em paralelo ao desenvolvimento um track de descoberta que realizará pesquisas.

Ou seja, reforçando o que já falamos o Double Diamond é um ciclo infinito de melhorias contínuas.

Dica de Leitura: O Que É Lean UX?

Double Diamond na prática: estudo de caso do aplicativo Mercedes Me

O Mercedes me é aplicativo da Mercedes Benz para seus carros de luxo. Ele tem o objetivo de oferecer a melhor experiência conectada aos seus clientes, por meio de um smartphone ou Apple Watch.

Esse app da Mercedes foi desenvolvido pela Daimler, em parceria com a Pivotal Labs.

Por meio do Double Diamond, seu MVP foi desenvolvido em 6 meses, sendo considerada a entrega mais rápida de um aplicativo da Mercedes.

Dentre as principais funções do Mercedes me, estão:

  • Fornecer serviços online remotos, como informações de tráfego ao vivo e o estacionamento remoto, onde o motorista observa o carro sendo estacionado pelo aplicativo;
  • Ajudar na localização de peças originais, assistência na estrada e garantias;
  • Ajuda nos planos de pagamento de automóveis, leasing e seguros;
  • Condução compartilhada pelo Car2go, onde os usuários podem localizar e reservar carros.

Double Diamond e o Mercedes Me

Segundo Manuel Birke, gerente de engenharia da equipe de Pesquisa & Desenvolvimento da Mercedes-Benz, o processo de desenvolvimento do Mercedes me foi dividido em duas partes — correspondentes ao dois diamantes do Double Diamond:

  1. Fase de descoberta e enquadramento: primeiro diamante, onde realizaram o levantamento de hipóteses;
  2. Fase da “abordagem interativa”: segundo diamante. Aqui, foram criados possíveis casos de uso e colhidos os primeiros feedbacks dos usuários, relacionados a cada caso.
Processo do Double Diamond aplicado para desenvolvimento do aplicativo Mercedes me

Junto com o MVP do Mercedes me também vieram algumas lições:

  • A comunicação precisa fluir entre todos os envolvidos no projeto. É preciso que todos tenham a mentalidade de “ perder e vencer” juntos;
  • Reunir-se sempre e ter uma visão equilibrada entre médio e longo prazo;
  • Certifique-se de poder desacoplar o fluxo de trabalho do mundo ao redor para não precisar depender dos ciclos de desenvolvimento;
  • O plano de desenvolvimento precisa ser facilmente adaptável às diversas situações. Para isso, deve-se levantar o maior número possível de riscos e situações adversas que podem acontecer no projeto.
  • A programação em pares (pairing programming), ou seja, quando desenvolvedores de níveis diferentes trabalham juntos, deve ser vista sempre como necessária;
  • As correções de bugs devem ser vistas como uma oportunidade de melhoria.

Conclusão

Com o máximo de levantamento de hipóteses e soluções, é possível chegar em um resultado que realmente atinja as expectativas e necessidades dos usuários. Com o Double Diamond, isso é possível.

Ele não é finito e não tem como resultado final uma solução “pronta”. Sua proposta é encontrar algo que seja duradouro, sendo que, para isso, a equipe refaça o processo do Double Diamond diversas vezes.

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