4 Princípios Fundamentais do Design Centrado no Usuário

Colocar o usuário no centro das decisões dos desenvolvimentos de produtos e interfaces digitais. Esse é o principal conceito do Design Centrado no Usuário. Mas como conseguir aplicá-lo no dia a dia? Confira neste artigo os 4 princípios fundamentais do UCD e saiba como utilizá-los em seus projetos de UX/UI Design
4 Princípios Fundamentais do Design Centrado no Usuário

É cada vez mais frequente ver as empresas aproximando produtos e serviços de seus clientes, com o auxílio da tecnologia e ferramentas de processos criativos, como Design Centrado no Usuário. As empresas já entenderam que somente dessa forma vão garantir uma ótima experiência para seus usuários e o sucesso que desejam para seus produtos e serviços.

A forma como realizamos transferências bancárias online ou como pedimos comida do nosso restaurante favorito, direto do nosso celular, são alguns exemplos próximos desta transformação.

Tudo isso é fruto de pesquisas e processos para melhorar a experiência e satisfação dos clientes, sendo o Design Centrado no Usuário parte fundamental desse processo.

Neste artigo, compartilhamos a importância dos 4 princípios fundamentais do Design Centrado no Usuário e deixamos dicas de como aplicá-los para melhorar a experiência dos seus projetos de UX/UI Design! Confira!

O que é Design Centrado no Usuário (UCD)?

Design Centrado no Usuário, também conhecido por User Centered Design — UCD — é um processo de design que tem foco no usuário e na solução de suas necessidades.

Por envolver o usuário durante todo o processo de design – por meio de pesquisas, testes e entrevistas -, o UCD visa entender suas necessidades para produzir sistemas inteligentes que possam resolver um problema de fato relevante, gerando maior satisfação na experiência com o design final.

Antes do Design Centrado no Usuário, o desenvolvimento de projetos tinha foco somente nos objetivos do negócio, funcionalidades e na capacidade tecnológica disponível.

Dessa forma, não se levava em conta a parte mais importante do processo: quem realmente vai fazer uso do produto, o usuário final.

Portanto, os sistemas eram complexos demais ou focavam em coisas não tão importantes, o que resultava em projetos falhos e desperdício de recursos.

Com o UCD, ao invés de exigir que o usuário se adapte para aprender a utilizar um produto, criam-se sistemas que se relacionam com o que o ele crê, como age, vê e interage com o mundo.

Quando uma empresa, por exemplo, lança um produto ou um serviço que facilita a vida dos seus usuários, com certeza, ela fez todo o planejamento e desenvolvimento se utilizando dos princípios do Design Centrado no Usuário.

A identificação da persona e como ela se comporta, antes de comprar o que a empresa oferece, e também os testes de usabilidade, são ferramentas importantes para chegar neste resultado.

Dica de Leitura: Como o Design Centrado no Usuário Pode Beneficiar a Todos

A importância do Design Centrado no Usuário

O UCD é importante para:

  • Melhorar a experiência dos usuários com os produtos e serviços da empresa;
  • Agregar qualidade ao que é produzido, observando o feedback e a percepção dos usuários;
  • Melhorar o foco e a produtividade da equipe, evitando trabalhos sem direcionamentos;
  • Aumentar a receita e reduzir custos, por consequência da criação de produtos e serviços melhores;
  • Melhorar a usabilidade de um software e suas ferramentas, possibilitando gerar mais valor à empresa.

Os 4 princípios fundamentais do Design Centrado no Usuário

Os princípios norteadores do UCD foram definidos por Don Norman, uma das maiores referências em Design Centrado no Usuário e Usabilidade que temos na atualidade.

Norman é também um dos nomes que administram a Nielsen Norman Group (NN/g), uma das maiores consultorias de UX/UI Design no mundo.

Para Norman, os princípios fundamentais de aplicação no Design Centrado no Usuário são:

  • Ter a garantia da resolução de problemas centrais em sua raiz e não apenas no problema apresentado;
  • Ter foco nas pessoas;
  • Trabalhar com uma perspectiva sistemática, compreendendo que problemas resultam de múltiplas partes que dependem entre si;
  • Testar e refinar propostas que atendem continuamente às necessidades das pessoas.

Abaixo, detalhamos os 4 princípios propostos por Norman. Além disso, deixamos dicas para você começar a aplicá-los na prática.

1) Desenvolva a habilidade em resolver a raiz do problema

Nem sempre o problema real é aquele que foi apresentado inicialmente. Nesse sentido, faz parte do conceito de Design Centrado no Usuário investigar a raiz dos problemas e buscar soluções eficientes.

Para Norman, a principal dificuldade de se trabalhar em equipe é a falta de compreensão, pelas áreas envolvidas no projeto, sobre o problema em questão. Tal falha na comunicação pode acontecer pelos seguintes motivos:

  • Ambiente de trabalho desalinhado e sem foco de projeto;
  • Utilização de tecnologias complicadas para os usuários;
  • Falta de interação entre sistemas de tecnologia e as personas;
  • Falta de comunicação total entre o trabalho, a tecnologia e as personas.

Mas como é possível solucionar esses problemas quando eles aparecem?

  1. Sempre pergunte o porquê do problema e vá a fundo nas respostas que encontrar. Evite ficar na superficialidade e acabar se apegando a soluções rasas;
  2. Aplique estudos de campo e faça observações práticas sobre o que está buscando entender. Utilize testes e entrevistas com os usuários;
  3. Mantenha sempre a sua persona em mente, ela é a representação do usuário do produto, portanto não deve ser deixada de lado;
  4. Levante, teste e valide as hipóteses levantadas sobre o problema;
  5. Priorize o trabalho e resolva um problema de cada vez.

Para te ajudar com esses processos, tenha em mente alguns conceitos e metodologias como:

2) Tenha foco nas pessoas

Muitas empresas desenvolvem produtos e serviços baseados somente na tecnologia à sua disposição e deixam os usuários em segundo plano.

Essa abordagem acaba por não solucionar ou entender quais são as reais necessidades do usuário.

Dessa forma, o Design Centrado no Usuário reforça a importância de colocarmos as pessoas e os usuários no foco das decisões do desenvolvimento de produtos e serviços.

Mas indo além do usuário final, o UCD deve observar e levar em consideração todas as pessoas que estão presentes no processo de utilização do produto.

Por exemplo, pense em uma cama de hospital.

O designer não deve somente desenvolver esse produto a partir do ponto de vista do usuário final, ou seja, do paciente. Mas deve levar em consideração as pessoas que limpam a cama, os enfermeiros que ajudam o paciente a se levantar e até mesmo, nas pessoas que transportam as camas dentro do hospital.

Nesse sentido, é imprescindível criar uma cama de hospital que melhore a experiência de todas essas pessoas envolvidas no processo.

Quando for efetuar as pesquisas junto às personas/ usuários, observe com mais atenção os impactos do seu produto, quais as histórias das pessoas envolvidas e como elas agem e pensam.

Dica de Leitura: Por Que Times Balanceados São Importantes em UX Design?

3) Aposte em uma abordagem centrada em atividades

Pense em atividades de forma macro, não apenas em componentes de forma isolada.

Como suas soluções darão suporte a uma atividade maior? Por exemplo: como melhorar a experiência de um checkout de compra pode influenciar no processo de compra como um todo?

Ao invés de focar apenas em um componente da atividade, pense de forma mais abrangente e em todas as pessoas que estão envolvidas neste processo. Quem toma as decisões, quem influencia as decisões, quais outras tecnologias precisam dar apoio ao processo, entre outros.

Esse tipo de abordagem é desafiadora e precisa envolver toda a equipe. Pois diferentes componentes são tratados por diferentes partes do projeto. Algumas coisas influenciam na parte tecnológica, outras em relações interpessoais, outras no visual. Portanto, é preciso que todos estejam alinhados e trabalhando no mesmo foco.

Quando ocorre o contrário, ou seja, quando a equipe não consegue propor algo inteligente e prático, os resultados acabam sendo frustrantes.

4) Realize testes rápidos e contínuos

O Design Centrado no Usuário também valoriza aproximações e feedbacks rápidos, onde em cada interação, melhora-se o protótipo.

Então, o ideal é começar a realizar testes rápidos e contínuos que envolvam as pessoas para participarem ativamente do que está sendo construído, utilizando princípios de metodologias Agile e Lean UX.

Comece aplicando esses testes às personas do projeto, observando como elas interagem e o que respondem.

Os métodos de UX Research utilizados aqui vão variar conforme o estágio do projeto e o que está sendo testado, mas em geral utilizamos métodos de pesquisa qualitativa, como:

  • Diários de Uso (Diary Study);
  • Análise de Contexto (Contextual Inquiry);
  • Testes de Usabilidade (Usability Testing).

Implementar mudanças em um sistema, requer paciência e coragem para aprimorar ideias e criações. Isto pode levar tempo para dar certo ou ter um custo alto no projeto.

Ao mesmo tempo, mudanças são fundamentais para saber se o protótipo está alcançando resultados positivos.

Dica de Leitura: 10 Dicas Para Preparar e Conduzir Testes de Usabilidade com Eficiência

Desafios de aplicação do Design Centrado no Usuário

Aplicar os princípios de Design Centrado no Usuário tem complexidades e desafios. Por isso, é importante leva em consideração algumas questões:

  • A empresa precisa comprar a ideia de Design Centrado no Usuário;
  • Ter usuários engajados no processo;
  • Ter o alinhamento do time de projeto nos conceitos de UCD

A empresa precisa comprar a ideia do UCD

Idealmente, para usufruir dos benefícios vindos do Design Centrado no Usuário, você precisa que a empresa entenda e aplique em seus processos os princípios do UCD.

Nesse sentido, faça a evangelização do Design Centrado no Usuário sempre que:

  • Pessoas do seu time nunca ouviram falar no assunto;
  • Stakeholders e diretores têm dúvidas sobre o benefício desse conceito;
  • A empresa não possui maturidade em UX Design.

Nesse sentido, apresente cases de sucesso de outras empresas, ou mostre os próprios resultados de processos em que você utilizou esses princípios.

Esse processo de vender a ideia do UCD não é simples. É preciso certo esforço e dedicação para conseguir espalhar a ideia do Design Centrado no Usuário. Muitas vezes a mentalidade e cultura da própria empresa não permitem que se tenham processos de UCD. Nesses casos, talvez seja melhor rever o lugar onde você está trabalhando.

Ter usuários engajados no processo

Encontre usuários corretos e que representam a sua persona. Essa é uma etapa complexa, mas não impossível de ser aplicada.

Uma ideia prática, é realizar as suas pesquisas na persona identificada com testes rápidos, em tempo hábil e que não atrasem o desenvolvimento e as entregas do projeto.

Dica de Leitura: O Que é Empatia e Por Que é Importante em UX Design?

Alinhamento do time no processo de UCD

Todos do time — gerente de projeto, desenvolvedores, designers — precisam trabalhar com base na metodologia e não em torno de funcionalidades, tecnologia e outros. Sem alinhamento da equipe, pode haver dificuldades na aplicação do UCD.

Por isso, mais uma vez, é importante você, como UX Designer dentro do seu time reforce sempre os benefícios do Design Centrado no Usuário!

Aplicar os conceitos de Design Centrado no Usuário é bastante desafiador, do ponto de vista prático, mas são essenciais para você se aperfeiçoar como UX Designer e conseguir desenvolver produtos e interfaces de sucesso.

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