Método das Torradas: A Habilidade de Resolver Problemas em UX Design

Entenda como resolver problemas complexos de UX Design dentro de uma equipe e como gerar ideias e soluções inovadoras através de um exercício prático que pode ser aplicado em qualquer etapa de um projeto!
Método das Torradas: A Habilidade de Resolver Problemas em UX Design

Imagine que você é o Designer de uma empresa de tecnologia que desenvolveu uma plataforma de ensino. Os professores utilizam essa ferramenta para gerenciar as aulas e projetos dos alunos.

Porém, tanto os professores quanto os alunos encontraram diversas dificuldades ao interagir com a plataforma, como por exemplo:

  • dificuldade para compartilhar os exercícios na plataforma;
  • falta de ferramentas para categorizar os exercícios;
  • dificuldades para avaliar os alunos por um dispositivo móvel.

Agora, você precisa encarar todos esses problemas e propor soluções criativas e eficientes, caso contrário, o projeto vai fracassar.

Nesse momento, bate um leve desespero frente a todos os problemas e você pensa: "Por onde eu começo? Como solucionar esses problemas de forma criativa?"

Pensando nesse desafio de criar ideias e soluções diariamente que vamos explicar um exercício prático para solucionar problemas em equipe: O Método das Torradas, desenvolvido por Tom Wujec.

Começando pelas torradas

Uma forma eficiente de tratar problemas "cabeludos" é buscar novas maneiras de visualizar as dificuldades e propor soluções em grupo.

Nesse sentido, Tom Wuejec propõe melhorar a visualização dos problemas por meio do Design e Tecnologia.

Wuejec é autor de vários livros, professor na Singularity University e uma das referências quando o assunto é visualização de negócios.

Ele tem várias técnicas interessantes e que podem ser aplicadas em UX Design, entre elas, o método das torradas.

O Método das Torradas é um exercício simples que auxilia as equipes a resolver problemas complexos.

O método pode gerar resultados incríveis, quando vinculado a outras habilidades de UX Design, como:

O método possui 3 etapas e vamos exemplificá-lo como o seu autor, por meio de um processo simples de fazer torradas.

Primeiro passo

Com uma folha de papel em branco e uma caneta, desenhe, sem escrever, o processo de fazer uma torrada.

A maioria das pessoas, segundo Tom, começa com algo parecido com isso:

Fonte: Tom Wujec

Tom estudou por muitos anos essas ilustrações e concluiu que há muitas formas de fazer as coisas, mesmo sendo algo simples como torradas. Sua coleção de desenhos mostra jeitos diferentes de fazer torradas, mas Tom identificou duas similaridades existentes e todos os desenhos:

  • nós (nodes);
  • ligações (links).
Fonte: Tom Wujec

Os nós (em laranja) são representados pelos objetos e pessoas. Já as ligações (em verde) representam as conexões entre objetos e pessoas.

Dessa forma, os nós somados às ligações formam um modelo visível. Isso acontece por conta da capacidade do nosso cérebro de criar e recriar o funcionamento das coisas.

Por exemplo: quando você vê um prato, uma faca, uma torrada e uma manteiga, seu cérebro conecta esses pontos da forma mais usual que você aprendeu a utilizá-los.

Porém, nada impede que seu cérebro amplie as possibilidades e ajude você a fazer e/ou consumir torradas de outra forma. Por exemplo: você pode comprar as torradas prontas e utilizar a manteiga, a faca e o prato. Ou você pode pegar os pãezinhos do dia anterior, cortar e colocar no forno.

Portanto, o processo de fazer torradas se configura de formas diferentes, de pessoa para pessoa.

O mesmo acontece quando estamos descrevendo um problema ou alguma dificuldade. Cada pessoa vai olhar para um problema de um forma diferente da nossa.

Fonte: Tom Wujec

Dessa forma, Tom aponta que quando queremos comunicar algo apenas desenhando, devemos prestar atenção nessas diferentes possibilidades e comunicá-las de uma forma simples e de fácil compreensão.

Intuitivamente, todos sabem como dividir coisas complexas, transformá-las em coisas simples e sintetizá-las. – Tom Wujec

Portanto, quando estiver diante de um problema, quebrá-lo em várias partes vai te fazer enxergá-lo com mais clareza e isso vai te guiar para a solução.

Dica de Leitura: Benchmarking – Como Efetuar a Análise de Competidores em UX Design?

Segundo passo

Nessa etapa, vamos desenhar novamente o processo utilizando post-it's, mas dessa vez vamos detalhar um pouco mais e prestar mais atenção em fases importantes que ficaram de fora na etapa anterior.

Após fazer os desenhos nos post-it's, cada pessoa da equipe os colocará em um lugar visível a todos e, enquanto isso, podem agrupar os desenhos semelhantes, criando conexões.

Com isso, será possível ver as ideias que se conectam, as que se complementam e as que podem ser descartadas.

Fonte: Tom Wujec

Embora pareça comum, combinar as ideias em blocos é uma das maneiras para obtermos clareza no que queremos. E isto é muito importante dentro de projetos de UX Design.

Teóricos apontam a facilidade que temos de mudar uma representação e adequá-la ao modelo que consideramos que vai trazer mais melhorias no projeto.

Assim, embora possa parecer bobagem utilizar post-it's e deixá-los visíveis para a equipe inteira, esse processo torna o trabalho mais fluido.

E sabe por quê? Pois, ele amplia a capacidade de visualização do todo. Dessa forma, com os post-it's fica mais fácil imaginar objetos e pessoas em movimento do que um simples desenho estático no papel ou numa lousa, onde você fica parado com algum outro colega, tentando imaginar hipóteses.

Além disso, os post-it's também ajudam a identificar exatamente em que ponto do projeto estão e quais são as dificuldades do problema. Portanto, é uma etapa muito importante.

Fonte: Tom Wujec
Fonte: Tom Wujec

Dica de Leitura: Product Manager – Negócios, Tecnologia e User Experience

Terceiro passo

Neste passo do exercício vamos desenhar como se faz torradas em grupo!

Fonte: Tom Wujec

No começo pode parecer um pouco confuso, pois são muitas ideias e formas diferentes de se fazer torradas.

No entanto, na medida em que o grupo pensa e repensa os blocos de como fazer torradas, o modelo fica mais aprimorado e se torna mais claro.

Assim, as sugestões e as ideias de cada pessoa envolvida no projeto fazem com que exista uma melhor construção de novas ideias.

Dessas ideias aprimoradas no grupo surge um modelo de projeto unificado e mais eficaz.

Uma observação importante: nessa construção em grupo surgirão vários nós e links, em virtude da pluralidade de pessoas. Porém, isso não será algo negativo, já que todos colaboraram para que estes modelos fossem construídos.

Fonte: Tom Wujec
Fonte: Tom Wujec

Quando as pessoas trabalham juntas, em circunstâncias corretas, modelos de grupos se tornam melhores que os modelos individuais – Tom Wujec

E o que isso tem a ver com UX Design?

Fonte: Tom Wujec

Você já esteve dentro de um projeto onde a equipe travou ou não conseguiu ter ideias que entrassem em um consenso pra sair do lugar? Esse exercício pode ser uma mão na roda para resolver isto!

Afinal, trabalho em equipe e solução de problemas não é mágica, tampouco sorte, é treino, perseverança e empatia.

Esse exercício de visualização junto com o diálogo da equipe podem ser aplicados para qualquer tipo de problema ou segmento de negócio. A ideia é produzir ideias inovadoras e eficientes.

Portanto, o método das torradas, quando aplicado, pode ajudar a solucionar problemas de comunicação e alinhamento na equipe. Além de:

  • Visão organizacional do projeto;
  • Visão da experiência do cliente;
  • Sustentabilidade do projeto a longo prazo;

Aqueles que veem seu mundo com nós e links realmente tem uma vantagem. Este ato de visualização de fazer e refazer em grupo produz alguns resultados notáveis. – Tom Wujec

O exercício das torradas, é uma prática para tornar as ideias visíveis, palpáveis e facilitar a sequência do projeto.

Esperamos que você consiga aplicar esse exercício em seu dia a dia e na diversidade de projetos de UX Design!

Mais dicas

O autor mantém um site onde você pode conferir mais dicas, materiais, aprender como aplicar workshops e ainda, fazer download de templates.

Além disso, você pode assistir a palestra completa do Tom no TED, onde ele explica esse exercício incrível:

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