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História da Fotografia: Tecnologias, Artes e Guerra
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História da Fotografia: Tecnologias, Artes e Guerra

Capa de Artigo: História da fotografia

Quantas fotos você tirou no último mês? Ou na última viagem de férias? Ou melhor ainda, quantas fotos você tem na galeria do seu celular? A fotografia se tornou algum muito comum em nossas vidas, não é?

Não há dúvidas de que a facilidade com que temos em retratar o mundo à nossa volta é muito grande hoje em dia.

Mas é claro que nem sempre foi assim. A fotografia passou por uma série de situações que a fizeram como conhecemos hoje.

Neste artigo, iremos pontuar os principais marcos na história da fotografia e traremos o impacto que essa nova mídia teve nas artes e na visão que as pessoas têm do mundo.

Que tal? Vamos lá?

A fotografia antes da foto

Quando falamos sobre fotografia, qual a primeira coisa que te vem à cabeça?

Entretenimento, tecnologia, redes sociais, arte?

Talvez essas associações sejam comuns e até naturais hoje em dia. Mas na verdade a fotografia surgiu com um intuito bastante diferente; e as primeiras "câmeras" foram criadas para se estudar óptica, um campo da física que trata sobre a luz e a visão.

É até incorreto chamar esses estudos iniciais de fotografia, tendo em vista que esse conceito surgiu muito depois. Mas não podemos ignorar o fato de que essa curiosidade sobre imagens, luz e sombra foram primordiais para o avanço e o estabelecimento da fotografia como conhecemos hoje.

Alguns desses estudos datam de cerca de 400 a.C, na China, passando por Aristóteles e por Ibn Al-Haytham, que viveu entre 945 e 1040 d.C.

Os estudos iniciais sobre a fotografia observavam a incidência da luz em pequenas superfícies, sendo possível a representação de imagens em paredes ou tecidos.

A partir dessa observação é que começaram a ser inventados diversos aparelhos para aprofundamento desses estudos, sendo um deles a câmera escura, que foi extremamente importante para o avanço da fotografia.

Dica de Leitura: Luz: A Matéria-Prima Da Fotografia

A evolução da tecnologia fotográfica

A história da fotografia é composta por muitos marcos tecnológicos que permitiram o seu avanço e evolução.

Como os estudos sobre luz e óptica começaram há mais de dois mil anos, vamos listar aqui os eventos mais relevantes da história, de forma simples e sucinta.

Câmera escura (~400 a.C)

Fotografia: Ilustração de uma câmera escura
Câmera escura

O primeiro registro de uma câmara escura está datada do século V a.C, em um texto chinês. No entanto, há relatos de seu uso por Aristóteles, para estudos astronômicos e mais tarde pelo árabe Ibn al-Haytham, que utilizou o aparelho para observar um eclipse solar.

Apesar de seus registros serem bem antigos, a câmera escura ainda era utilizada entre os séculos XIV e XIX para auxiliar artistas na produção de pinturas e imagens, e pelos precursores da fotografia.

Este aparelho é basicamente uma caixa com paredes opacas e escuras. Em uma dessas paredes há um orifício e na parede oposta a ele, uma superfície fotossensível.

Ao dispor algum objeto na frente da câmara escura — em frente ao orifício — a imagem deste objeto será projetada na superfície fotossensível, de forma invertida.

Apesar da câmara escura não ser exatamente uma máquina fotográfica — porque não há captação de imagens, mas sim uma reprodução — a sua utilização marcou a história do que depois passou a ser conhecido como fotografia.

Câmara escura e lentes finas (~1600)

Aproximadamente no ano de 1600, a invenção de lentes finas acopladas nas câmaras escuras possibilitou que artistas pudessem pintar e desenhar melhor os objetos.

As lentes ainda trouxeram outras facilidades para a câmara escura, uma vez que o orifício da câmara deveria ser menor para obter um foco mais preciso.

Com as lentes, era possível obter um foco mais preciso e ajustável, sem que houvesse limitação no tamanho do orifício da câmara escura.

A primeira fotografia (1826)

Apesar da câmara escura ter sido utilizada durante bastante tempo, ela não conseguia efetuar um registro permanente do objeto ou da paisagem que estava à sua frente.

O primeiro registro fotográfico foi acontecer somente em 1826, pelo francês Joseph Niépce, que conseguiu gravar em uma placa de estanho uma imagem do quintal da sua casa.

Primeiro registro fotográfico, por Joseph Niépce
Primeira registro fotográfico, por Joseph Niépce, em 1826

Niépce utilizou um derivado do petróleo chamado Betume da Judeia, que reage com a luz, e colocou a placa de metal em um solvente para que a imagem fosse surgindo gradativamente.

Apesar do sucesso do seu experimento, a imagem de Niépce teve que ficar exposta à luz durante várias horas para aparecer na placa de metal. Além disso, a imagem não era permanente, ou seja, ela desapareceu em pouco tempo.

No entanto, esse fato tornou-se um marco da primeira fotografia da história e foi base para experimentos futuros que melhoraram esse processo.

Louis Daguerre e a popularização da fotografia (1850)

Louis Daguerre, também francês, trabalhou junto com Niépce e deu continuidade aos estudos da fotografia quando este faleceu.

Daguerre quis aperfeiçoar a técnica criada por Niépce e mais: queria levar a fotografia para o maior número de pessoas possível.

Por conta desse seu desejo, Daguerre recebeu apoio e financiamento do governo francês, em troca da disponibilização pública de seu trabalho, apresentado à Academia de Ciência de Paris, em 1839.

Os estudos de Daguerre fizeram melhorias ao processo de Niépce, substituindo o betume por prata polida e vapor de iodo, resultando numa película de iodeto de prata, que era muito mais sensível à luz.

Com isso, o tempo de fixação caiu de horas para poucos minutos e houve um incremento extraordinário na qualidade da imagem. Além disso, este novo processo conseguiu aumentar a vida útil da fotografia, tornando-a praticamente permanente.

Uma das fotos mais famosas capturadas pelo método de Daguerre foi do escritor Edgard Allan Poe e na qual podemos observar o incremento na qualidade e cuja preservação se encontra até hoje.

Fotografia de Edgar Allan Poe tirada a partir de um daguerreótipo
Foto de Edgard Allan Poe tirada a partir de um daguerreótipo

Daguerre não somente aprimorou o processo como criou uma espécie de máquina fotográfica, batizada de daguerreótipo, em sua homenagem.

Dessa forma, como seus estudos se tornaram públicos, o daguerreótipo se popularizou na Europa e nos EUA, chegando a ter 70 estúdios especializados nessa máquina em Nova Iorque, em 1850.

Essa foi a primeira máquina fotográfica comercializável do mundo e, com razão, foi um marco na história da fotografia.

Imagem de um daguerreótipo
Daguerreótipo

Claro que o acesso ao daguerreótipo só era possível para as pessoas da elite, sendo que nessa época ainda era muito mais barato contratar um artista para pintar o retrato da sua família.

Dica de Leitura: Perspectiva – Aprenda Como Utilizar Essa Técnica Nas Artes Visuais

Aperfeiçoamento da fotografia (~1850 – 1880)

Os estudos de Daguerre abriram as portas para diversos outros cientistas e fotógrafos aperfeiçoarem as técnicas e contribuírem para a evolução da fotografia, como:

  • Frederick Scotch Archer: criou a emulsão de colódio úmida, barateando o custo de produção das fotografias e melhorando a resolução das imagens;
  • Adolphe Disderi: criou a Carte-de-visite, onde colocava vários retratos em uma só placa, barateando os custos de impressão;
  • Richard Leach Maddox: criou a fixação de imagens em suspensão gelatinosa, substituindo a emulsão de colódio, criada por Archer.

A criação da chapa seca, por Maddox, foi uma revolução na história da fotografia. Até então, a revelação das fotos deveria ser feita praticamente na hora em que elas fossem tiradas. Com as placas secas essa necessidade já não existia mais, fazendo com que os rolos de filme pudessem diminuir de tamanho, reduzindo também o tamanho das câmeras fotográficas.

Além disso, as chapas secas eram mais seguras e os fotógrafos não precisavam preparar suas emulsões com líquidos tóxicos. Isso também possibilitou a comercialização em escala desse novo tipo de chapa.

Com isso, a fotografia tornou-se ainda mais popular e possibilitou que esse mercado crescesse ainda mais.

Criação da Kodak (1880)

Logo da Kodak, história da fotografia
Logo Kodak

A criação das chapas secas de Maddox permitiu uma série de mudanças na fotografia, incluindo a não dependência de tripés e a invenção de diversas câmeras portáteis e mais acessíveis.

Nesse contexto, em 1880, o americano George Eastman criou uma empresa de chapas secas que, em poucos anos, começaria a comercializar suas próprias câmeras fotográficas. O nome da empresa de George? Eastman Kodak Company.

A Kodak revolucionou o mercado da fotografia, com as suas câmeras fotográficas que já vinham com um rolo para a captura de 100 imagens. Sem dúvidas, a empresa ajudou a popularizar e a tornar a fotografia mais acessível para as pessoas.

O slogan da empresa era "Você aperta o botão e nós fazemos o resto". Com isso, a Kodak retirava o processo de revelação das fotos por parte do cliente, bastando apenas que a câmera fosse entregue em um de seus estúdios onde a revelação do filme era feita.

Propaganda da Kodak, história da fotografia
Propaganda da Kodak

A Kodak foi um verdadeiro marco na história da fotografia, sendo uma empresa que se manteve ativa no mercado até o surgimento das câmeras digitais.

Fotos coloridas (1935)

Sem dúvidas, uma das maiores revoluções na história da fotografia foi a possibilidade de registrar imagens coloridas.

Até então, esse processo havia sido feito por Thomas Sutton e James Clark Maxwell, em 1861. Eles tiraram fotos em preto e branco através de filtros de cores, garantindo a coloração para as fotos.

Primeira foto colorida
Primeira foto colorida, por Thomas Sutton e James Clark Maxwell

No entanto, foram os irmãos Lumière que inventaram o principal método de captação de imagens coloridas, chamada de autocromos coloridos. Sua patente foi registrada em 1903, mas a sua usabilidade não era tão simples e isso dificultou a popularização desse método.

Foi após 30 anos da patente dos autocromos que um método mais simples de produção foi inventado e disponibilizado no mercado.

Em 1935, a Kodak lançou os Kodachromes, um tipo de filme que permitia tirar fotos coloridas com as câmeras da empresa.

Apesar da sua comercialização, o processo de revelação das fotos coloridas ainda era complexo e, na época, apenas 25 estúdios no mundo inteiro possuíam a tecnologia necessária para fazê-lo.

No entanto, essa tecnologia ainda é considerada uma das admiráveis em questão de qualidade e de método de captura, tendo sido utilizada pela Kodak até 2009.

Fotografia colorida utilizando Kodachromes
Foto colorida utilizando Kodachromes | Fonte: Creative Commons

Fotografia Instantânea (1948)

Pouco tempo depois da popularização das fotos coloridas, pela Kodak, uma nova proposta estava surgindo: a fotografia instantânea.

Edwind Herbert Land foi o fundador da Polaroid Corporation e, em 1948, ele apresentou a sua primeira câmera de revelação instantânea: a Land Camera 95.

Máquina Polaroid
Polaroid Land Camera 95 | Fonte: Creative Commons

Outras fabricantes, como a Kodak e a Fuji criaram as suas versões de câmeras com fotografia instantânea, nos anos de 1970 e 80. Mas a Polaroid sempre foi a referência no mercado, mantendo-se assim até o surgimento das fotografias e câmeras digitais.

Câmeras modernas (1950s – 1980s)

Nos anos 50, duas empresas japonesas de fotografia (Asahi/Pentax e Nikon) introduziram no mercado as lentes SLR.

As SLR eram um espelho móvel que permitia que o fotógrafo observasse pelo visor da câmera exatamente a imagem que seria capturada pela máquina.

Além disso, a Nikon começou a produzir máquinas com lentes intercambiáveis, permitindo uma maior flexibilidade e variabilidade no poder de captura de imagens.

Essas mudanças levaram para um outro nível a fotografia profissional, mas ainda era necessário tornar esse tipo de qualidade acessível para os fotógrafos amadores e para aqueles que apenas procuravam a fotografia como entretenimento.

Com isso em mente, nos anos 70 e 80, a empresa Konica Minolta lançou uma série de câmeras com flash embutido, foco e SLR automáticos, sob o slogan "aponte e aperte."

Máquina Konica
Konica C35AF – a primeira câmera autofoco compacta de 35 mm do mundo é lançada | Fonte: Konica Minolta

Essas inovações possibilitaram que amadores também conseguissem boas qualidades em suas fotos e fez com que as câmeras fotográficas se difundissem por todas as camadas, fossem profissionais e entusiastas ou apenas para entretenimento de final de semana.

Dica de Leitura: Como Atuam Os Blend Modes do Photoshop?

Câmeras digitais (1990 – hoje)

A primeira câmera digital foi lançada em 1991, pela Kodak. No entanto, as fotografias e tentativas de captura digital datam desde 1975.

A Kodak DSC 100 foi produzida a partir do corpo de uma Nikon F3 e foi lançada com uma câmera de 1.3 megapixel, com memória externa.

Máquina Kodak DSC 100
Kodak DSC 100, primeira câmera digital do mundo | Fonte: Creative Commons

Em 1994, a Kodak lançou uma câmera digital com cartão de memória e sensibilidade ISO de 1600. No entanto, se você quisesse comprar esse equipamento, deveria desembolsar a bagatela de U$17.950!

Com o passar dos anos, a tecnologia foi avançando cada vez mais e as câmeras fotográficas foram ficando melhores, mais leves, mais robustas e mais acessíveis.

Além disso, com o avanço dos aparelhos celulares e smartphones, houve a grande fusão entre os telefones móveis e as máquinas fotográficas.

Hoje em dia, é praticamente impossível você encontrar um aparelho celular moderno sem que haja uma câmera embutida.

Iphone 13
iPhone 13 | Fonte: Apple

Essa mudança do analógico para o digital afetou diversas empresas, inclusive as mais consolidadas no mercado, como a própria Kodak, que foi responsável por diversas inovações e marcos na história da fotografia.

As empresas tiveram que se adequar a essa nova realidade, mas uma coisa que não mudou em todos esses anos foi a vontade das pessoas de fotografar e retratar os momentos especiais e do dia a dia.

A fotografia e o impacto nas artes

Antes do surgimento da fotografia, as pessoas já gostavam de retratar a si mesmas e seus parentes e ter a posse de imagens de seus ancestrais.

Sem a foto, essa representação era feita através de artistas que pintavam os retratos de seus clientes.

Claro que a contratação desses artistas não era algo acessível a todos, sendo quase que exclusivamente das pessoas da elite que possuíam mais poder de compra. No entanto, havia algumas técnicas mais baratas para que pessoas menos ricas também pudessem usufruir dessa arte, como o desenho de silhuetas, por exemplo.

Fotografia e impacto nas artes, retrato em silhueta
Retrato em silhueta

Nesse sentido, os retratos eram uma forma muito específica de arte, praticada por artistas especialistas em realismo. Não havia dúvidas de que a reprodução da realidade em telas, utilizando tintas, era uma atividade artística.

Dica de Leitura: O Que é Concept Art?

O daguerreótipo e a revolução dos retratos

Não é estranho dizer que com a invenção do daguerreótipo, o mercado de retratos pintados sofreu um grande impacto.

A máquina conseguia fornecer um processo de captura de imagem muito mais fácil do que acontecia com a pintura — mesmo que para utilizar o daguerreótipo as pessoas devessem ficar imóveis durante muitos minutos e ainda fosse acessível somente para uma classe mais afortunada da sociedade.

Além disso, o daguerreótipo começou a ser utilizado também para criar souveniers. Em 1850, as pessoas já retratavam com máquinas as ruínas de Roma para vendê-las aos turistas, deixando de lado as gravuras e litografias utilizadas até então.

Com o avanço das tecnologias, como visto acima, ficou cada vez mais fácil e rápido capturar imagens de forma mecânica, ao invés de confiar esse trabalho a artistas.

Dessa forma, surgiram 3 grupos de pessoas:

  1. as que acreditavam que a fotografia não era arte porque era fruto de uma máquina e não da criatividade humana;
  2. aquelas que viam na fotografia um uso auxiliar para as pinturas, trazendo referências do mundo real, mas que não deveria ser considerada uma forma de arte;
  3. as que comparavam a fotografia com a litografia e pinturas, sendo bastante entusiastas em relação a essa nova técnica, considerando que ela seria tão significativa quanto qualquer outro tipo de arte.

A partir disso houve diversos argumentos e artigos publicados defendendo cada uma dessas posições. Era claro que a classe artística estava se sentindo, de certa forma, ameaçada por essa mídia que estava surgindo.

A ascensão da fotografia como arte

Photographer: Zichao Zhang | Source: Unsplash

Embora houvesse essa divisão entre grupos com visões diferentes sobre a fotografia, durante a década de 1850, a comunidade de fotógrafos se uniu e batalhou arduamente para conseguir o reconhecimento da fotografia como arte.

Nesse sentido, surgiram diversos grupos e publicações a favor dessa visão artística sobre a fotografia. Inclusive, houve a fundação importantes como a Photographie Society of London e a Societe Française de Photographie.

No final dessa década, diversas exibições e galerias de arte expuseram fotos como obras de arte, causando muitas críticas dos opositores, mas que, sem dúvidas, fortaleceram a visão artística sobre a fotografia.

Responsável pela arte moderna?

É compreensível que o surgimento da fotografia tenha causado descontentamento e desconfiança da classe artística da época.

Os pintores e outros artistas haviam estudado e desenvolvido diversas técnicas para conseguir retratar o mundo exatamente como ele é, em suas telas. O movimento do realismo foi bastante importante para arte.

Dessa forma, quando surge uma máquina capaz de capturar o mundo real de forma mais fácil e rápida, é um motivo justificável para o desconforto e falta de resiliência.

No entanto, toda quebra de padrão pode trazer consigo uma porta para uma outra mudança relevante.

Foi o que aconteceu com os novos rumos da arte a partir da ascensão da fotografia.

Não queremos dizer que a fotografia foi a única responsável pelo início do movimento da arte moderna, mas talvez ela tenha tido um papel muito relevante nessa mudança.

Artistas importantes como Edvard Munch e Vincent Van Gogh acabaram por entender que o realismo era papel da fotografia e que o verdadeiro papel do artista era transcender os limites do real. Eles diziam que a arte deveria ir além do que a foto poderia proporcionar.

Em 1920, André Breton complementa os pensamentos de Munch e Van Gogh, dizendo que a invenção da fotografia quebrou os antigos moldes de expressão e que, uma vez que um instrumento fazia agora o que os artistas se propunham, eles poderiam se libertar da imitação das aparências.

Com isso, percebemos o papel importante que o surgimento da fotografia teve na história da arte, inclusive sendo um dos catalisadores do movimento da arte moderna.

Uma nova visão de mundo

Além do impacto nas artes, a fotografia proporcionou outras mudanças, principalmente no jornalismo e na cobertura de guerras.

Antes da fotografia, as guerras eram retratadas também por artistas e estavam sujeitas à sua interpretação e exageros. No entanto, com as fotos, a veracidade dos fatos ficou muito mais transparente e a sociedade começou a enxergar o que realmente acontecia nos campos de batalha.

O primeiro fotógrafo a cobrir uma guerra foi Roger Fenton, que esteve nos campos de batalha da guerra da Criméria (1853-1856).

Devido à tecnologia da época, Fenton conseguiu retratar apenas objetos inertes e paisagens, mas mesmo assim voltou para a casa com cerca de 300 fotos as quais dispôs em uma galeria.

Fotografia Valley of the Shadow of Death, por Roger Fenton
Valley of the Shadow of Death por Roger Fenton, 1855

Outro fotógrafo que retratou os horrores da guerra foi Mathew Brady.

Brady acompanhou de perto a Guerra Civil Americana junto de 20 assistentes, em 1861. O sucesso de seu trabalho garantiu uma exposição em 1862 e o reconhecimento como um dos precursores do fotojornalismo.

Fotografia de Arsenal de guarda do soldado
Arsenal de guarda do soldado, Washington, DC, 1862

A partir disso, os fotógrafos começaram a utilizar as fotos e o fotojornalismo para ajudar a contar as histórias por trás das notícias e eventos.

Ficou cada vez mais comum o envio de fotógrafos para cobrir guerras, conflitos e outros tipos de situações.

Um dos eventos mais marcantes para o fotojornalismo foi a segunda guerra mundial, onde os fotógrafos já contavam com uma tecnologia mais avançada e puderam retratar os campos de batalha e momentos simbólicos da guerra.

Foto da infantaria da Wehrmacht alemã avançando em meio a vilas norueguesas
Infantaria da Wehrmacht alemã avançando em meio a vilas norueguesas em chamas durante a Campanha da Noruega, em abril de 1940, por Erich Borchert | Fonte: Creative Commons

Os anos de 1930 até 1970 marcaram a era de ouro do fotojornalismo. O avanço da tecnologia ajudou bastante os fotógrafos a retratar as notícias e eventos e a divulgar histórias com fotos que ficaram famosas no mundo inteiro.

Fotografia Migrant Mother, de Dorothea Lange
Migrant Mother, de Dorothea Lange (1936) | Fonte: Creative Commons

A fotografia na atualidade

Não há dúvidas de que a fotografia foi e ainda é bastante importante para a sociedade. Seja pelo apelo artístico, pelo jornalismo, para entretenimento ou até mesmo para criar e guardar memórias e lembranças.

A tecnologia avançou de tal modo que é praticamente impossível que uma pessoa não tenha uma câmera fotográfica à mão a todo o tempo. Praticamente todos os celulares possuem suas próprias câmeras embutidas.

No entanto, isso não significa que a fotografia tenha deixado de ser vista como arte. Ainda existem diversas exposições, galerias e espaços em museus reservados somente para a arte da fotografia.

Além disso, não houve somente um avanço da tecnologia, mas também das técnicas, processos, métodos e conceitos que envolvem a fotografia. Isso quer dizer que não basta ter uma câmera no celular para se considerar fotógrafo. Existem diversas questões que envolvem essa profissão e arte e que demandam muito estudo e prática.

O que vivemos hoje é resultado de toda essa história e dos acontecimentos que marcaram a trajetória da fotografia durante todos esses anos. O impacto da fotografia não foi apenas nas artes ou no jornalismo, mas também em toda esfera social na qual vivemos hoje.

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