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A Arte Imita a Vida: O Efeito Pop Art
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A Arte Imita a Vida: O Efeito Pop Art

Pop Art

Origem da Pop Art

Pode ser que você não saiba definir o que é Pop Art ou como surgiu, mas você com certeza já cruzou com alguma referência ao movimento ou trabalho de Andy Warhol —o nome mais associado a essa corrente artística.

E por que resolvemos trazer esse assunto até vocês? Porque foi a Pop Art que nos aproximou do mundo da Arte e ressona até hoje em todos os aspectos da cultura contemporânea, do Design ao Marketing.

A Pop Art tem raízes no Neo-dadaísmo e outras correntes artísticas que questionavam a própria definição de Arte. Surgiu como um reflexo pós guerra, refletindo o industrialismo e o consumismo crescente dos anos 50 e 60.

Como a “Arte Popular” foi uma rebelião contra o elitismo das belas-artes, seu tema central é a realidade das massas, focando em temas como celebridades, anúncios de propaganda e objetos do cotidiano que ilustravam a cultura popular.

Continue lendo para saber mais sobre Pop Art, o impacto desse movimento e quem foram os principais artistas que fizeram desse estilo tão arrojado, uma obra de arte.

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O Independent Group na Inglaterra

Richard Hamilton Pop art
Just what is it that makes today’s homes so different, so appealing? Richard Hamilton, 1956.

O movimento Pop Art (Arte Popular) começou no Reino Unido com um grupo de artistas que se encontrava em Londres, conhecido como o Independent Group (Grupo Independente) ou IG.

O IG foi um grupo vanguarda de jovens artistas, escritores e arquitetos que queriam revolucionar a cultura modernista dominante naquela época. Eles estavam interessados na relação entre a cultura popular e as artes visuais.

I was a Rich Man’s Plaything

Em 1952, Eduardo Paolozzi, um dos co-fundadores do IG fez uma apresentação para o grupo mostrando uma série de colagens com anúncios publicitários, tiras de gibis e imagens gráficas de revistas norte americanas.

Uma das colagens dessa apresentação foi I was a Rich Man’s Plaything de Paolozzi (1947), que inclui o primeiro uso da palavra “pop”, aparecendo em uma nuvem de fumaça saindo de um revólver.

Eduardo Paolozzi Pop art
I was a Rich Man’s Plaything. Eduardo Paolozzi, 1947.

Inspirados por essa palestra, o grupo queria criar arte que fosse mais inclusiva e que tivesse um apelo às massas.

O grupo organizou a exposição This is Tomorrow (1956) em que fazia parte dessa exibição a colagem icônica de Hamilton “Just What Is It that Makes Today’s Home So Different and So Appealing” sendo considerada para muitos o marco oficial do início do movimento.

“[…]filmes, ficção científica, publicidade, música pop. Não sentimos aversão ao padrão de cultura comercial como a maioria dos intelectuais; aceitamos como um fato, a discutimos em detalhes e a consumimos com entusiasmo.” Lawrence Alloway

Foi Alloway quem apadrinhou o movimento, usando o termo “Pop Art” pela primeira vez em meados dos anos 50 (fontes podem divergir em relação a essa data, indo de 1954 a 1958), onde descrevia uma nova forma de arte “Popular”.

Usando ironia e paródia, os artistas britânicos se concentravam no que a cultura popular americana representava, no poder que tinha de manipular o estilo de vida das pessoas e no consumismo exacerbado.

Os principais artistas envolvidos foram Richard Hamilton, Nigel Henderson, John McHale, Sir Eduardo Paolozzi e William Turnbull. O IG também incluía os críticos Lawrence Alloway e Rayner Banham.

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Pop art Americana

pop art

Já nos EUA, jovens artistas começavam a reagir contra as idéias básicas do expressionismo abstrato. Eles achavam que a pintura abstrata tinha se tornado elitista demais e queriam trazer a arte de volta ao mundo real, tirando-a da obscuridade.

Dessa forma, o novo estilo artístico desafiava a visão tradicional sobre o que a arte deveria ser. Havia também um sentimento de que o que aprendiam na escola de arte e o que viam nos museus não refletiam em nada o seu entorno ou o que experienciavam no dia a dia.

Esses jovens artistas queriam confundir completamente os limites entre a arte erudita e a cultura de massa, criando arte a partir de objetos populares — como a famosa obra de Warhol com a imagem de uma banana.

Sua principal fonte de inspiração eram filmes de Hollywood, anúncios publicitários, embalagens de produtos, música pop e histórias em quadrinhos.

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Pop Art: Reino Unido x Estados Unidos

Se no Reino Unido a corrente Pop era alimentada pela cultura popular americana vista à distância, nos EUA o cenário era diferente: os americanos eram inspirados pelo que viam e experimentavam vivendo dentro dessa cultura.

Dessa forma, há uma distinção entre os trabalhos oriundos de cada lado do oceano:

  • artistas britânicos observavam de longe a cultura popular americana, resultando em uma abordagem mais acadêmica, criando obras humorísticas e sentimentalistas;
  • os americanos, imersos em sua própria mídia de cultura pop, eram bombardeados todos os dias com a diversidade de imagens produzidas em massa e criaram trabalhos mais ousados e agressivos.

A Pop Art pode ser vista como uma das primeiras manifestações do pós-modernismo.

Andy Warhol e o Boom da Pop Art!

Apesar de ter surgido no Reino Unido, foi no EUA que a Pop Art realmente explodiu. E o principal nome por trás da fama desse movimento é Andy Warhol.

Objetos do dia a dia e celebridades hollywoodianas como a impressionante e icônica Marilyn Monroe ou o grande rei do rock Elvis Presley eram temas frequentes nos trabalhos de Warhol. Graças a ele, grandes artistas foram imortalizados em suas obras.

Pop art

Warhol entendia o apelo comercial e também entendia o fascínio pelas celebridades. Juntas, essas obsessões formavam o coquetel pós-guerra perfeito para impulsionar a economia.

Das compras às revistas, ele teve a perspicácia de capturar a essência da estética americana: embalagem de produtos e de pessoas.

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O Legado Pop

A Pop Art não só se espalhou para diversas áreas criativas em diferentes camadas sociais, como vem se mantendo relevante década após década, influenciando até hoje nossos conteúdos criativos.

Nos anos 80, alguns artistas pós-modernos trabalharam sob a bandeira do “Neo-Pop”. Um desses artistas, Jeff Koons, utilizava características emprestadas da arte Pop, como a inclusão de objetos da vida cotidiana em suas obras de arte.

Fashion pop
Coleção Pop Art. Yves Sain Laurent, 1966.

Hoje, a Pop Art continua impactando estilistas, designers, arquitetos e artistas pelo mundo todo, assim como o novo fenômeno japonês: Takashi Murakami.

Murakami criou o termo “Superflat” para descrever sua arte, referindo-se à natureza gráfica inspirada no anime, na cultura pop e no consumismo.

Além disso, podemos ver a influência do legado pop em artistas de rua como Banksy, que usa estênceis e design gráfico para alcançar uma estética semelhante a Pop Art em suas obras.

Como a “Arte Pop” imita quase perfeitamente os aspectos da sociedade aos quais reage, seu impacto na cultura mundial é, neste ponto, incomensurável.

Seja no Design, na moda, nas pinturas ou na arquitetura, a Pop Art veio para ficar.

murakami flower matango
Escultura ‘Flower Matango’, do artista japonês Takashi Murakami.

Curiosidades do Mundo Pop

Você sabia que originalmente a Pop Art foi chamada de arte de propaganda? Confira abaixo algumas curiosidades do movimento:

  • Andy Warhol desenhou a famosa arte do álbum de estréia do The Velvet Underground, The Velvet Underground & Nico.
  • Foi Richard Hamilton quem criou a capa para o White Album, do The Beatles.
  • O uso de objetos e imagens encontrados pela Pop Art remonta ao movimento Dada no início do século XX.
  • Artistas como Jeff Koons e Claes Oldenburg satirizaram objetos do cotidiano, retratando-os em proporções monumentais. As peças icônicas de Oldenburg incluem colheres de sorvete gigantes, prendedores de roupa, entre outros.
  • O Warhol mais caro já vendido foi Silver Car Crash (Double Disaster), que ele criou em 1963. Foi vendido por US $ 105 milhões em 2013.
  • Andy Warhol foi um ilustrador de revistas e designer gráfico muito bem-sucedido; Ed Ruscha também era designer gráfico e James Rosenquist começou sua carreira como pintor de outdoors.
the velvet underground
Capa do álbum do The Velvet Underground, pelo artista Andy Warhol.

Críticos e Críticas

A Pop Art foi em parte um grito rebelde contra o status quo.

Como a corrente artística predominante na década era o expressionismo abstrato, os críticos modernistas ficaram horrorizados com o uso de objetos tão comuns e tão populares, usados aparentemente sem nenhum senso estético ou crítico.

E apesar dos jovens rebeldes da Pop Art usarem a arte como crítica ao consumismo, eles se utilizavam justamente dos elementos que criticavam, criando dessa forma trabalhos que se opunham ao consumo, mas alimentavam-se dele.

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Características da Pop Art

É fácil reconhecer a Pop Art devido às suas cores vibrantes e características únicas como a reprodução em série do mesma tema.

Abaixo estão outras características importantes que definem a Pop Art:

  • Objetos reconhecíveis: uso de imagens e produtos populares. Itens comerciais como latas de sopa, placas de trânsito, jornais, nomes de marcas e logotipos;
  • Personagens ou celebridades: fotos de celebridades, personagens fictícios de histórias em quadrinhos, anúncios, revistas ou fotografias de jornais;
  • Cores brilhantes: contornos com muitas cores fortes, brilhantes e até mesmo fluorescentes. O uso de cores primárias como vermelho, amarelo e azul predominam;
  • Ironia e sátira: o humor foi um dos principais componentes da Pop Art. Artistas usam o assunto para fazer uma declaração sobre eventos atuais, zombar de modismos e desafiar o status quo;
  • Técnicas inovadoras: processos de gravura, serigrafia, litografia. Também utilizavam imagens de outras movimentos e as incorporavam em suas obras, alteradas ou em sua forma original. Esse tipo de arte de apropriação era usado para quebrar a separação entre a arte elitista e a cultura das massas, misturando imagens das belas-artes com recortes publicitários;
  • Mix media e colagem: combinação de materiais e vários tipos de mídia.

Principais Artistas

Artistas que foram expoentes nesse estilo incluem Jasper Johns, Roy Lichtenstein e Andy Warhol. É preciso mencionar também Richard Hamilton, Claes Oldenburg, James Rosenquist e Tom Wesselmann.

Andy Warhol

Campbell Pop art
As famosas latas de sopa Campbell.

Andy Warhol se tornou o grande representante desse movimento. Formado em design, trabalhou como ilustrador em grandes revistas como a Vogue e New Yorker. Andy sempre teve interesse em elementos da cultura de massa, como resultado, produtos do cotidiano reinaram em suas obras — como as famosas latas de sopa Campbell.

Warhol compreendia a cultura da fama, a propaganda e o efeito da mídia, e dedicou seu trabalhos e sua vida a isso. O estúdio de Andy, conhecido como Factory, foi um grande ponto de encontro de celebridades artísticas da época, o que ajudava a promover o efeito da “marca” de Andy Warhol.

Já na cena noturna de Nova Iorque, muitos diziam: “ Você sabe que está numa festa boa quando Andy Warhol aparece!”

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Jasper Johns

Jasper Johns Pop art
Obra do artista Jasper Johns, representando a bandeira norte americana.

Jasper Johns é conhecido principalmente por suas obras representando a bandeira americana e outros tópicos que remetem ao patriotismo. Talvez seja por isso que em várias ocasiões Johns conseguiu o título de peça “mais bem paga” por uma obra de um artista vivo.

Além de bandeiras, seus trabalhos também se concentram em elementos como letras, impressões de jornais, algarismos, texturas e mapas. As inovações que ele encontrou na serigrafia, litografia e gravura revolucionaram completamente este campo da arte.

Roy Lichtenstein

Lichtenstein Pop art
Um close da famosa obra de Roy Lichtenstein “Whaam!”.

Roy Lichtenstein ficou bastante conhecido pelo uso de histórias em quadrinhos e pontilhismo em seus trabalhos. Suas obras também misturavam anúncios, comerciais e recortes do dia a dia.

Num meticuloso processo manual, ele usava templates perfurados para replicar e frequentemente exagerar os padrões de pontos geralmente usados na impressão de imagens. Conhecido como pontos Ben-Day, esse padrão se tornou um elemento característico do seu estilo.

James Rosenquist

James Rosenquist Pop art
Famosa obra de James Rosenquist, “President Elect”.

As obras de James Rosenquist mergulham profundamente na cinematografia e na publicidade, tendo como base seu histórico com pintura de letreiros. Suas obras frequentemente exploravam o papel da publicidade na arte e na sociedade.

Utilizando técnicas que convencionalmente eram usadas para criar arte comercial, James combinava elementos do surrealismo com imagens fragmentadas de anúncios, celebridades, objetos populares e até comida — como batons gigantes ou espaghetti.

Robert Rauschenberg

Rauschenberg ficou conhecido por bagunçar os limites que distinguem as pinturas e as esculturas. Ficou bem conhecido por conta do seu trabalho Combines (1954-1964).

Há quem diga que Robert antecipou o movimento da Pop Art, sendo descrito como um Neo-Dadaísta.

Richard Hamilton

Hamilton foi desenhista profissional e durante sua carreira atuou muito com desenho técnico, especialmente na área da engenharia.

Seu trabalho ficou marcado pelo pioneirismo, onde Richard usava colagens para parodiar a cultura contemporânea dos anos 50 e 60. Conforme mencionado no início do artigo, ele foi um dos fundadores do famoso movimento de artistas criado em Londres chamado Independent Grup (IG).

Photoshop Tutorial: Pop Art

Caso você tenha interesse, temos um tutorial para criar imagens no estilo Pop Art com o Photoshop. Assista o vídeo abaixo e aprenda com o Marcelo Dantas como fazer sua própria obra à la Warhol.

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